
É novidade? Vai acontecer? As cartas estão na mesa desde novembro do ano passado, quando o vice-presidente para operações internacionais da Chrysler, Mike Manley, deu pistas ao divulgar as projeções do Chrysler Group, com a benção de Marchionne.
Até 2014 a empresa americana-italiana pretende fabricar e comercializar 2,8 milhões de unidades, das quais 500 mil fora do Nafta. O Brasil fica nesta última conta. Vale lembrar que em 2009 a Chrysler colocou fora do Nafta apenas 144 mil unidades e tem muito chão pela frente.
A Chrysler já montou no Paraná a picape Dakota, mas nos planos da empresa a marca Jeep deve ser a ponta-de-lança na região, onde goza de prestígio. Os argentinos estariam interessados em levar para seu país a manufatura, mas os brasileiros também querem ficar com os Jeeps.
Marchionne já disse que para ser uma das cinco montadoras sobreviventes a associação entre Fiat e Chrysler precisa responder por um volume de 6 milhões de veículos/ano. A Chrysler pretende chegar a 2,8 milhões. A Fiat teria que garantir uma parcela enorme, mas é preciso levar em conta, no quebra-cabeças, que haverá trocas de produtos entre as marcas, completos e em regime CKD (completamente desmontados) e SKD (semidesmontados).
Veículos serão compartilhados pelas operações globais, como acontecerá na Russia, onde a Sollers tornou-se parceira da Chrysler-Fiat e planeja produzir 500 mil unidades até 2016, com nove modelos novos e uma plataforma global zero quilômetro. O empreendimento pretende ser o segundo maior da Rússia.
Brasil
O papel do Brasil nas estratégias globais da Chrysler e da Fiat certamente está sendo definido e envolverá também Marelli e FPT – Powertrain Technologies, que podem contribuir a partir do País para suprir operações em diversas partes do globo, incluindo os Estados Unidos.
Ninguém duvide que Marchionne, junto com o CEO local Cledorvino Belini, anunciará em breve uma montanha de investimentos na Fiat do Brasil, que tem trazido os melhores resultados para os cofres do empreendimento italiano. Em 2010 termina o investimento de R$ 6 bilhões que a Fiat do Brasil aplica desde 2007. O novo budget para a região será discutido na reunião do Conselho de Administração, do qual Belini faz parte, em 21 de abril.
Expandir a produção da Fiat no Brasil passa a representar um desafio para a fábrica de Betim, que já responde pela maior produção global de uma montadora sob o mesmo teto. Belini vem repetindo que é sempre possível conseguir obter ganhos adicionais, com uma melhor operação logística e criatividade. Mas essa mágica pode estar próxima do limite. Uma nova fábrica seria a opção? A Argentina, sempre envolvida em polêmicas, seria uma solução para complementar a manufatura?
Esses são mais alguns dos desafios para Belini equacionar, enquanto se prepara para assumir a presidência da Anfavea, no final de abril. Aí, então, ele terá outra cesta de questões importantes para resolver — dessa vez em nome da indústria automobilística brasileira.