
Quando foi obrigada a adiar a chegada ao mercado da nova Strada por causa da pandemia de coronavírus, a Fiat precisou colocar adiante não só o lançamento de um carro, mas de toda uma estratégia comercial para relançar a marca e sua identidade visual na América Latina. A nova geração da picape mais vendida do Brasil – e oitavo veículo mais emplacado do País no primeiro trimestre – deve chegar às concessionárias em julho, ainda que essa data possa ser alterada novamente, a depender da extensão das medidas de isolamento social. 
Foi remarcada de abril para junho a apresentação oficial e início da pré-venda, ao mesmo tempo em que estreia em sua grade dianteira a logomarca afixada em letras grandes – chamada de “Fiat Script” – que irá gradualmente substituir o pequeno escudo redondo em todos os modelos e em toda comunicação visual da fabricante, incluindo suas concessionárias.
Herlander Zola, diretor da marca Fiat e de operações comerciais, explica que a nova Strada foi escolhida para iniciar a transição de identidade visual e estratégia comercial porque a picape representa uma das mais bem-sucedidas iniciativas da fabricante no País, liderando o seu segmento praticamente desde o lançamento da primeira geração, ainda como uma derivação do Palio, em 1998.
Em 2019, mesmo com todos os consumidores já sabendo da chegada da nova geração, a Strada obteve a maior participação de mercado de sua história, com 76,2 mil emplacamentos, representando 58% das vendas de picapes no mercado brasileiro. Também foi o sétimo veículo mais vendido do mercado brasileiro no ano passado e o segundo Fiat mais emplacado, atrás somente do Argo.
“O desempenho da Fiat está atrelado à Strada. Por isso escolhemos o lançamento da nova geração para fazer um movimento maior para a marca, resgatar seus valores e o charme da herança italiana. A nova Strada vai marcar a estreia de nova identidade visual que será depois se estenderá a outros modelos, à rede de concessionários e à toda comunicação da empresa”, revela Herlander Zola.
A Fiat fez uma boa renovação no design da nova Strada, que só chega às lojas no segundo semestre
O executivo explica que não foi possível lançar antes a nova picape porque poucas unidades foram produzidas até março, apenas o suficiente para apresentação à imprensa e produção de material de lançamento. Logo depois a produção da fábrica de Betim (MG) precisou ser interrompida para obedecer às orientações de distanciamento social diante da pandemia de coronavírus. Como a retomada gradual da operação está prevista para acontecer ao longo de maio, o lançamento foi reprogramado, por enquanto, para junho e segundo Zola levará de 20 a 30 dias para abastecer toda a rede de concessionárias com o modelo. “Como não tínhamos estoque, os concessionários concordaram conosco que a única saída era adiar a chegada da nova Strada. Já adiamos o plano três vezes, é difícil precisar qualquer data no cenário atual, mas por enquanto reprogramados tudo para junho”, conta.
NOVA STRADA DEVE AUMENTAR VENDAS NO VAREJO
Zola aponta que a Strada continuou a ganhar mercado um segmento que parou de crescer. “Na última década a participação das picapes estacionou em cerca de 12% do total de veículos vendidos no País. Mas a Strada seguiu aumentando suas vendas. Isso ocorre porque, além de ser a opção mais barata de um veículo comercial, ela também está sempre um passo à frente da concorrência, foi a primeira a oferecer cabine estendida, também a primeira picape pequena com cabine dupla e porta traseira de acesso”, justifica.
Para o diretor da marca, esse “passo à frente” continua com a nova geração da Strada, que será a primeira da sua categoria com cabine dupla, quatro portas e espaço para levar cinco passageiros. Também terá conteúdo mais robusto, com oferta de controle eletrônico de estabilidade (ESC) e tração de série em todas as versões – o dispositivo é obrigatório por lei em novos modelos lançados a partir deste ano.
Quase todo o volume da Strada atual é negociado em vendas diretas a frotistas, locadoras e pequenos comerciantes. Apenas 7% dos emplacamentos vêm de negócios fechados nas concessionárias, que hoje vendem só as versões mais caras Adventure da picape. Na avaliação de Zola, isso deve mudar com a chegada da nova geração ao mercado com suas versões Freedom e Volcano, que deverão elevar para no mínimo 20% o volume de vendas de varejo, na rede de concessionárias.
A versão antiga da Strada, denominada Working, continuará a ser vendida como opção de entrada para quem precisa de um veículos unicamente como ferramenta de trabalho, mas Zola estima que com o decorrer do tempo as vendas do velho modelo representarão menos de 10% do total da gama. “O mercado vai dizer por quanto tempo continuaremos a oferecer a Strada Working. Acreditamos que deverá durar por mais dois anos, mas pode ser antes, isso depende do consumidor”, explica o diretor.
A nova geração da Strada será lançada sem opção de câmbio automático. “Não nesse primeiro momento, porque a Strada é identificada como um veículos de trabalho, a versão Working representa 60% das vendas e levará algum tempo para isso mudar. Por isso optamos por não ter versões automáticas agora, mas conforme as versões mais caras da nova geração forem crescendo, a intenção é sim oferecer a opção”, afirma Zola.
Novo design e equipamentos de segurança pode abrir mercados para nova Strada fora da América Latina
Em certos mercados, como México e alguns outros países, a nova Strada continuará a ser vendida como RAM, a marca de picapes do Grupo FCA. A modernização do modelo com novo design e equipamentos de segurança, segundo revela Zola, abre espaço para exportar a Strada para fora da América Latina. “Primeiro ela será direcionada para a região, mas em um segundo momento poderemos sim explorar novos mercados”, diz.