A notícia foi confirmada pela imprensa local na quinta-feira, 3, quando foi assinado o protocolo de intenções para a instalação do centro por Stefan Ketter, vice-presidente de manufatura do Grupo Fiat Chrysler e responsável pelo projeto Pernambuco da empresa, o governador Eduardo Campos e o prefeito do Recife, Geraldo Julio, entre outras autoridades. O centro será instalado no prédio a ser reformado de uma antiga fábrica de tecidos do início do século 20.
Não foi divulgado o valor do investimento. Segundo o Diário de Pernambuco, Ketter prevê que as instalações, estejam funcionando plenamente no prazo de até dois anos, com criação de até 500 empregos para engenheiros e técnicos de diversas áreas. O centro poderá validar processos e produtos, além de realizar desenvolvimento de projetos de componentes para o polo automotivo em formação no entorno da fábrica de Goiana, que inicialmente irá contar com 11 fornecedores diretos. O investimento total na região já soma R$ 7 bilhões, sendo R$ 4 bilhões na planta de veículos, R$ 500 milhões para a produção de motores e os R$ 2,5 bilhões restantes pelos fabricantes de peças.
GOIANA
Segundo a Fiat, a fábrica está com 75% das obras prontas e em setembro começam os testes de linha de produção. Com investimento de R$ 4 bilhões e capacidade para 250 mil unidades/ano, o primeiro carro a ser produzido em Goiana será um Jeep, marcando assim a primeira operação conjunta no mundo da FCA, a Fiat Chrysler Automobiles, criada no início deste ano, após a Fiat assumir o controle total do Grupo Chrysler. O utilitário esportivo compacto Jeep Renegade deve começar a ser fabricado comercialmente a partir do início de 2015. “Mas também produziremos outros veículos lá”, confirmou Cledorvino Belini, agora presidente da FCA América Latina.
Desde quando iniciou o projeto de construir sua segunda fábrica no Brasil, em 2010, a Fiat tinha planos de produzir um modelo compacto de baixo custo. Segundo dizem alguns fornecedores, esse programa foi postergado, mas ainda está em execução. A planta de Goiana seria uma opção natural para o novo modelo, aproveitando a proximidade com o crescente mercado do Nordeste do País, mas ele também poderia ser feito em Betim (MG). Apesar de seus quase 40 anos de operação, a unidade mineira ainda tem energia para queimar, pois passa por processo de expansão que, até o fim deste ano, eleva a capacidade de produção de 800 mil para 950 mil veículos/ano.
Dessa forma, no fim de 2014, a Fiat (ou FCA) deverá inaugurar não uma, mas duas novas fábricas no País, pois além de Goiana a capacidade acrescentada a Betim é equivalente a uma nova planta, com potencial produtivo até maior do que algumas já instaladas no Brasil.