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Pedro Kutney, AB
Desta vez ele passou quase despercebido no País. Não veio inaugurar fábricas, nem divulgar grandes investimentos e muito menos manter encontros com autoridades locais – como parece ser praxe nessas visitas. Sergio Marchionne, o workaholic presidente do Grupo Fiat, veio comandar aqui a reunião mundial de diretoria da companhia, envolvendo a divulgação dos resultados do último trimestre e planejamento de estratégias futuras. É a primeira vez que esse encontro acontece no Brasil.
Os balanços semestrais das duas grandes divisões da companhia, desmembradas no grupo desde o início deste ano, estão sendo divulgados para analistas, investidores e jornalistas por meio de teleconferências a partir do Brasil – nesta segunda-feira, 25, foram informados oficialmente os resultados da Fiat Industrial (Iveco, CNH e FPT) e nesta terça-feira, 26, é a vez da Fiat SpA (Fiat Group Automobiles, Magneti Marelli, Teksid, Comau e Fiat Powertrain Technologies; além da associação com o Grupo Chrysler). Assim toda a alta cúpula mundial da direção da Fiat (e Chrysler) está circulando dividida em grupos de interesse pelas diversas unidades da empresa no País.
No domingo, 24, todos chegaram e se reuniram no hotel Royal Palm Plaza, em Campinas, no interior paulista. Depois da divulgação do balanço semestral da Fiat Industrial, os grupos se dividiram em visitas a unidades da companhia. Alguns visitaram as instalações da CNH em Sorocaba (SP), outros voaram para Minas Gerais. Marchionne passou a tarde na fábrica de Betim, em diversas reuniões.
Sua agenda não foi divulgada, mas é sabido que Marchionne esteve discutindo estratégias e investimentos no Mercosul – que no caso da Fiat Automóveis chega as R$ 10 bilhões até 2014, sendo R$ 7 bilhões em Betim e outros R$ 3 bilhões em Pernambuco, não se sabe ao certo ainda se em Suape ou Goiana (leia mais aqui).
Por certo Marchionne teve oportunidade de analisar junto com Cledorvino Belini, presidente do Grupo Fiat América Latina, e outros executivos a engenharia financeira que está sendo montada para a captação de recursos que vão viabilizar os novos investimentos das empresas do grupo no País. Para o empreendimento de Pernambuco já existem pedidos de financiamento público em curso que chegam a quase R$ 6 bilhões (leia aqui), não só para a fábrica de automóveis, mas também a divisão de motores FPT e outras unidades.
Novo comitê de direção
A imprensa internacional especulava na semana passada que Marchionne iria divulgar nesta reunião da diretoria no Brasil a nova configuração da cúpula de direção da companhia, algo que ele vem preparando há meses. Mas segundo fontes da Fiat isso ficou para mais tarde, em novo encontro a ser agendado em breve na sede mundial do grupo em Turim, na Itália.
Segundo informações extraoficiais, Marchionne quer diminuir um pouco sua carga de trabalho que frequentemente passa das 18 horas por dia. Seu plano de gestão constitui em nomear 25 pessoas para o novo comitê de direção que irá ajudá-lo na condução dos negócios dos grupos Fiat e Chrysler. A ideia é adotar apenas um diretor mundial para ambas as companhias em cada função-chave, como compras, manufatura, qualidade, operações, finanças, engenharia de produto, design e auditoria.
Marchionne deverá também dividir o mundo em quatro grandes regiões: Europa, América Latina, América do Norte e Ásia-Pacífico, cada um com um chefe regional, para quem responderiam os diversos diretores de marcas dos grupos Fiat e Chrysler. É bastante possível que o próprio Marchionne assuma o comando do braço norte-americano e da Chrysler, da qual o Grupo Fiat assumiu o controle acionário na semana passada, que agora precisa passar por profunda reestruturação, incluindo a sua diretoria.
Existem ainda especulações que Belini, 62 anos, seguiria na presidência do grupo na América Latina, assumindo inclusive ações da Chrysler na região, com possibilidade de produção de veículos da marca nas fábricas sul-americanas da Fiat. Nesse novo cenário, há rumores de que Belini, que já acumula a presidência da Anfavea, passaria o comando da Fiat Automóveis no Brasil para um sucessor.