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Vinicius Konchinski, Agência Brasil
Empresários e sindicalistas vão propor ao governo a recriação de uma câmara tripartite, com representantes de industriais, trabalhadores e governo, para discussão de políticas de incentivo à indústria nacional. A ideia é baseada no mesmo modelo já adotado em 1992 no País para a indústria automotiva, na época da crise das montadoras do ABC, quando foi instalada uma câmara setorial que indicou diversas medidas para aumentar a produção do setor – como, por exemplo, o programa do “carro popular”.
A ideia de criação da Câmara Setorial da Indústria, com o objetivo de elaborar medidas de proteção de empresas brasileiras e dos empregos gerados por elas, foi divulgada nesta segunda-feira, 23, por representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Força Sindical e de sindicatos de metalúrgicos da capital e do ABC Paulista. A proposta para a montagem do grupo deve ser apresentada ao vice-presidente da República, Michel Temer, em um seminário programado para esta quinta-feira, 26, em São Paulo.
De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a preocupação são “os ataques à indústria nacional pelos importados”. Ele afirmou que a produção nacional está ameaçada pela concorrência estrangeira e defendeu que o governo federal adote medidas para protegê-la.
Entre as ações medidas sugeridas estão a redução da taxa básica de juros Selic, a desoneração da folha de pagamento, o fim da guerra fiscal entre estados, a limitação da entrada de capital estrangeiro especulativo no País e medidas de estímulo à inovação. Sindicalistas e empresários também defendem o reajuste do limite de isenção do Imposto de Renda e o não recolhimento de impostos sobre valores recebidos como Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Para o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), essas medidas incentivariam o setor produtivo e o ajudariam a se manter competitivo ante a concorrência estrangeira, produzindo itens com mais tecnologia e valor agregado. “Quando você olha o país por cima, ele está muito bem. Mas quando você olha a indústria, a situação é grave”, afirmou. “Estamos virando um país de apertadores de parafuso.”
Sergio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e representante da CUT, também afirmou que a indústria brasileira precisa evoluir tecnologicamente. Só assim, segundo ele, os empregos gerados pelo setor serão mantidos nos próximos anos.
Empregos perdidos
Nobre disse que, por falta de tecnologia e de políticas de incentivo à indústria nacional, o Brasil tem importado cada vez mais produtos manufaturados. Essa importação tem fechado postos de trabalho no Brasil. Nobre afirma que, só no setor automotivo, 102 mil vagas de trabalho seriam abertas se o Brasil importasse menos carros e autopeças, de acordo com cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Para Skaf, em todo o setor industrial, mais de 1 milhão de empregos poderiam ser criados com a redução do déficit da balança comercial de manufaturas. Em 2010, o Brasil importou US$ 72 bilhões a mais do que exportou só no que se refere a produtos industrializados. Ele disse que esse déficit deve chegar a U$ 100 bilhões em 2011.