Tal aumento de demanda reteve as atenções dos dirigentes das empresas do setor na cadeia de fornecimento, com um completo descaso para suas exportações, até setembro de 2008, quando todos os mercados mundiais despencaram.
O que veio depois ainda está presente em nossa memória. O governo brasileiro reagiu à demanda setorial e o mercado doméstico deu sua resposta prontamente. Com isso vimos a produção não sofrer redução significativa em 2009.
Mas enquanto o mercado local esbanjava pujança nossas exportações sofreram uma fortíssima desaceleração a ponto de chamar a atenção pública ao mesmo ponto em que surpreendia o crescimento das importações.
O quadro abaixo mostra a involução até os dias de hoje das exportações de veículos relativas à produção e a evolução das importações frente às vendas domesticas.

Ao apagar das luzes de 2009 atrevi-me a chamar a atenção para o que acontecia com o setor de autopeças, onde se notava com muito mais vigor o crescimento das importações pelas montadoras, pelos seus fornecedores sistemistas, por fabricantes de autopeças e pelos comerciantes do setor.
Hoje vejo que aparecem sinais de que tomou-se consciência do quanto é grave e perigosa essa tendência. Primeiro o Governo finalmente apresentou algumas medidas de incentivo às exportações e, logo a seguir, também outra para desestimular às importações.
A eliminação gradual do redutor de 40% da Tarifa Externa Comum, devemos reconhecer, não é uma medida que vai ajudar a recuperar a competitividade do nosso setor, pois os carros ficarão mais caros, mas reduz a concorrência que já estamos sofrendo de longa data de países que não tem a mesma carga tributária, os mesmos encargos sociais e um câmbio flutuante como o nosso.
Quando esses entraves forem removidos estaremos ao lado dos sistemistas e montadoras, que agora reclamam dessa medida como forma de reduzir o déficit da balança do setor de autopeças, para batalhar pela maior competitividade e pela política de livre comércio com nossos parceiros do comércio internacional.
Depois desse episódio, que resultou na reversão da nossa balança setorial nos últimos anos, temos a lamentar os fatos de que passaram-se 4 anos desde nosso alerta inicial, e que todos os contratos de exportação que perdemos dificilmente serão por nós recuperados, pois aqueles que hoje os tem não vão ficar de braços cruzados para os perderem como nós ficamos na vã espera de uma desvalorização do real. /
Só nos resta esperar que um novo governo em 2011 tenha a visão focada no retorno do Brasil, e do nosso setor, ao mercado de exportação, antes de que seja tarde demais e a CKDrezição prevista pelo Paulo Butori seja nosso destino.
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Hugo Ferreira
19 de Maio de 2010