Deve-se reconhecer também a criatividade dos planos de financiamento. Existe de tudo, desde a prestação balão (paga no final do prazo com a venda do carro), a possibilidade de eleger prestações menores em meses específicos e até a inclusão de seguro, licenciamento, imposto e plano de revisões diluídos nas prestações. Evolução recente é a expansão acelerada do leasing que permite juros um pouco menores. Trata-se da modalidade que mais cresce. As pessoas físicas já representam quase metade de todas as operações, sem se importar que o veículo se mantenha em nome da instituição financeira, enquanto pagam-se as contraprestações.
Desde 2000, o perfil de aquisição mudou bastante. Consórcio passou de 19% para quase simbólicos 4%, hoje. O leasing subiu de 8% para 26%, com tendência a 30%. Compras à vista, surpreendentemente, subiram de 24% para 28%. Há um grande esforço, porém, de convencer a comprador a financiar, como ocorre na maioria dos países. Do ângulo puramente financeiro, adquirir à vista pode ser melhor. Sacar das reservas financeiras, porém, apresenta algumas desvantagens em caso de perda do emprego ou despesas inesperadas.
Segundo o consultor Daniel Brandão, a prestação significa despesa mensal de transporte e deve se incluir no orçamento doméstico. “Automóvel perde valor rapidamente. Quem compra à vista deveria se disciplinar e poupar o equivalente ao custo da prestação para não dilapidar seu patrimônio”, defende. Do ponto de vista contábil, é até possível deixar o dinheiro aplicado por três anos, a 0,7% líquido ao mês, e, no final do prazo, descobrir que se fez um bom negócio: o valor total do financiamento, a 1,4% de juro ao mês, é inferior ao recebido nas aplicações. Não existe mágica nos números. Ocorre que ao aplicar dinheiro há capitalização dos juros, mês a mês, enquanto no financiamento os juros incidem sobre valores amortizados mensalmente (tabela price).
Outro aspecto que promete dinamizar o mercado de crédito é o chamado cadastro positivo. Incrível que esse instrumento de avaliação de risco ainda esteja por implantar, ao contrário dos países evoluídos, em parte por pressões de defensores equivocados de suposta privacidade. Atualmente só se usa o cadastro negativo, cortando o crédito para maus pagadores. Quem tem o hábito de pagar em dia suas prestações, não se beneficia com juros mais baixos por representar risco menor para bancos e financeiras. Cadastro positivo permitirá, em médio prazo, a diminuição da margem de insegurança embutida nas prestações. Prova de maturidade em que todos ganham.
RODA VIVA
APETITE para as compras continua. Em relação a janeiro de 2007, o mercado interno cresceu nada menos de 41%, para 215.000 unidades emplacadas. Anfavea atribui o resultado, em parte, a efeito sazonal. Assim, acha prematuro tentar revisar as previsões de crescimento de 17%, em 2008. Produção total disparou 24%. Importações foram além: salto de 56% contra o mesmo mês do ano passado.
APESAR do pequeno aumento de 17 para 21 dias de estoque ― dezembro contra janeiro ― muitos modelos dependem de prazos de entregas que se estendem a até dois meses. Nada muito estressante porque o preço não varia, como nos tempos de alta inflação. Também há o efeito de múltiplas encomendas do mesmo carro em várias concessionárias. Ainda assim a espera é desconfortável.
COLOCADO no frízer o projeto da Fiat e Tata de produzir picapes médias no Mercosul. Sem previsão de data para início de produção, há quem garanta que a diferença de cultura entre os dois fabricantes parece irreconciliável. A marca italiana exige mudanças substanciais de linhas e conceitos, enquanto os indianos preferem não ceder.
LEITOR Sílvio Dias, de Curitiba, está de acordo com a coluna sobre a necessidade de aplicar efetivamente as multas atuais resultantes de uma fiscalização eficiente. Para ele, a proposta de aumentar o valor das multas “é mais um casuísmo; se aproveita para mudar a lei ao calor dos fatos, quando a lei deve ser algo que contemple as situações normais e os cidadãos em todos os momentos”.
EMPRESA alemã in.pro. acaba de lançar na Europa o som virtual de motores. Ligado ao sistema de áudio do automóvel e captando o nível de rotações do motor, deleita os ouvidos dos ocupantes. Que ainda podem escolher entre quatro tipos de sinfonia sonora: V8 de alta rotação, boxer 6-cilindros, rali e Fórmula 1. Pelo velho ditado popular, quem não tem cão, caça com gato…