“No início deste ano, esperávamos um crescimento de 20% até 30% para 2018, mas desde a Fenatran [realizada em outubro de 2017], e com o fechamento do primeiro trimestre, há um crescimento importante em andamento, apontando que o mercado não absorveria apenas 20% a mais do que o ano passado”, explica o diretor de vendas e marketing da Ford Caminhões para o Brasil, Oswaldo Ramos. |
Fatores como a necessidade de renovação de frota, as facilidades de crédito com a redução de juros, maior disponibilidade para todos os segmentos, inclusive para pequenas e médias empresas, que agora podem financiar 100% do bem via Finame-BNDES, além de um CDC mais atraente, têm impulsionado o setor, que vem apresentando reações satisfatórias, embora diferentes entre as categorias.
O segmento extrapesado, que abrange caminhões acima de 47 toneladas de PBT, é a que mais ganhou força e a primeira a reagir positivamente após a crise, muito em função da alta demanda do agronegócio. Para a Ford, o segmento continuará puxando o mercado total de caminhões no Brasil: sua projeção aponta para quase 32 mil unidades em 2018, um crescimento expressivo de 87% sobre os 17 mil feitos em 2017.
Contudo, a Ford, que não possui modelos pesados e extrapesados com PBT acima de 30 toneladas no País, não despreza seu portfólio, cujos produtos abrangem os caminhões semileves, leves, médios e pesados com PBT de até 30 toneladas. Considerando sua nova projeção, na soma destas quatro categorias, denominadas chassis rígidos, a empresa espera que o volume cresça quase 22% este ano, para 41,3 mil unidades contra as 33,9 mil vendidas em 2017.
O diretor reforça que estes caminhões atendem os mais variados segmentos de transporte de carga, seja urbano ou rodoviário de média e longas distâncias, incluindo atividades como o transporte de bebidas, cargas perigosas, cargas valiosas e de maior valor agregado, além de serviços públicos, como coleta de lixo, entre outras.
“Todos esses segmentos estão crescendo e há espaço para todos eles em nosso portfólio. Nosso objetivo é atingir os 25% de participação nos chassis rígidos”, traça Ramos.
Ele conta que, no cenário atual, ganha a montadora que tiver maior agilidade em capacidade de entrega. “A flexibilidade na fábrica de São Bernardo nos permite atender todos os nossos pedidos de forma favorável ao cliente”, reforça. A planta, que hoje opera em um único turno, adotou um sistema de produção que alterna a fabricação de veículos entre caminhões e automóveis. Segundo Ramos, até o ano passado a produção estava em um para um: em um dia se produzia caminhão e no outro, automóveis. “A demanda de caminhões cresceu e agora essa proporção não é mais em um para um: estamos usando mais dias que eram dos automóveis para atender os pedidos”, revela.
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REDE E REPOSICIONAMENTO DO NEGÓCIO |
Há dois anos, quando Ramos assumiu a direção de vendas da Ford Caminhões, a empresa iniciou um processo de reposicionamento da marca, que refletiu diretamente na rede de concessionárias. Ramos explica que a ideia é manter as atuais 110 revendas distribuídas em todo o País, mas o processo, ainda em andamento, reduzirá o número de grupos empresariais à frente dos negócios.
“Eram quase 70 grupos e vamos reduzir para 40, o que dá em torno de duas a três lojas por grupo. É um momento de transição e vamos sair ainda mais fortes da crise”, afirma.
Ramos conta que a formação da rede será em sua maior parte composta por grupos que já atuam como representante Ford, havendo apenas uma expansão desses. A montadora também está mais seletiva quanto à escolha dos empresários: apenas cinco entre os 40 serão novos na representação da Ford. “São pessoas que já têm vivência dentro do negócio de caminhões, não há mais espaço para amadores”, diz.
“Há 4 ou 5 anos, a rede era somente preocupada em vender. Com a revisão estratégica de nossa marca, vamos focar em mais serviços, e o relacionamento principalmente com clientes maiores será feito via montadora”.