Em janeiro, depois que o presidente norte-americano Donald Trump criticou a montadora por repassar a produção de automóveis pequenos ao México, a empresa disse que desistiria dos planos de construir uma fábrica para o Focus no valor de US$ 1,8 bilhão em San Luis Potosí no México e que, em vez disso, iria produzir o modelo em uma fábrica existente, em Hermosillo.
A discussão sobre a mudança de produção de veículos menores do México para a China começou alguns meses atrás, ainda sob a supervisão de Fields, disse o presidente de operações globais, Joe Hinrichs. O movimento sugere que a China poderia desempenhar um papel muito mais relevante no futuro da produção de veículos para a América do Norte, colocando o México como uma fonte de produção de baixo custo. Além disso, a decisão também sinaliza uma mudança na estratégia da Ford, que está respondendo à queda da demanda de consumidores dos EUA por carros pequenos em favor de caminhões e SUVs mais caros e lucrativos. As vendas do Focus nos Estados Unidos caíram 22% até este mês, já que os baixos preços da gasolina ajudaram a estimular a compra de veículos maiores.
Por outro lado, a Ford também espera exportar para a China cerca de 80 mil veículos neste ano, incluindo o Lincoln Navigator, redesenhado e que entrará em produção neste trimestre na fábrica de caminhões da Ford no Kentucky (EUA).
À imprensa mexicana, a Ford informou que a decisão não impactará de imediato seus níveis de emprego no país, explicando que continuará a produzir o Fusion e o Lincoln MKZ, bem como suas versões híbridas, na planta de Hermosillo. O complexo industrial, com 30 anos de operação, é a única fábrica que produz veículos híbridos no México e foi a primeira a montar modelos de luxo.
Além disso, a montadora confirmou que está expandindo sua planta de transmissões em Irapuato, na qual começará a fabricar novos produtos no próximo trimestre, além de começar a fabricar novos motores na planta de Chihuahua a partir de novembro.