
“Com esta fábrica damos mais um passo importante para globalização de nossos produtos no mercado brasileiro e para produzir o segundo carro global da marca projetado por nossa engenharia brasileira”, disse Steven Armstrong, presidente da Ford América do Sul, referindo-se ao novo Ka – que chega após o EcoSpport global lançado em 2012. “O plano inicial é fornecer motores para os veículos feitos aqui, mas outras opções podem surgir para abastecer outras unidades da Ford”, admitiu.
O novo motor de três cilindros produzido em Camaçari é da mesma família do EcoBoost 1.0 lançado em 2013 pela Ford na Europa e China, com até 130 cavalos, para equipar modelos como o New Fiesta, Focus e o próprio EcoSport. Porém, a versão brasileira não tem o Eco (injeção direta de combustível) nem o Boost (turboalimentação), por isso é menos potente. Mas fontes de mercado asseguram que a Ford também produzirá a versão turbinada no Brasil, para equipar versões topo de gama de seus modelos, hoje quase iguais aos feitos na Europa.
ALTO POTENCIAL PRODUTIVO
O regime de trabalho em Camaçari começa em apenas um turno, mas se adotar três turnos na usinagem e dois na montagem final pode alcançar as 210 mil unidades/ano e assim se tornar a segunda maior planta a produzir esta família 1.0 de três cilindros, hoje já fabricada pela Ford (mas com injeção direta e turbo) em Colônia, Alemanha (capacidade de 236 mil/ano), Craiova, na Romênia (102 mil/ano), e Chongquing, na China (47 mil/ano).
Ao somar a capacidade de 500 mil propulsores Sigma por ano da fábrica de Taubaté (SP), a Ford ganhou alto potencial produtivo de motores no Brasil, indicando a possibilidade de futuras exportações. O Sigma já é exportado para o México e o novo 1.0 3C Duplo Comando eventualmente também poderá ser enviado a mercados que, assim como o Brasil, para conter custos adotam a versão com injeção indireta, hoje fabricada exclusivamente em Camaçari.
“A ideia foi fazer um produto local com base global”, diz Volker Heumann, gerente de desenvolvimento de motores da Ford América do Sul. Ele conta que o projeto do 1.0 3C com injeção multiponto indireta começou a ser desenvolvido no Brasil há cerca de três anos, portanto antes mesmo do lançamento do 1.0 EcoBoost. “Fizemos o trabalho em paralelo, porque precisávamos de uma versão sem a injeção direta, que custa mais caro e nem sempre esse custo compensa quando aplicado a um carro 1.0”, explica. Mas ele admite que o propulsor “está pronto para aplicações futuras”, podendo, portanto, agregar a injeção direta e turboalimentação caso exista demanda para isso.