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Mário Curcio, AB
A Ford conseguiu durante semanas abafar as difíceis negociações com os metalúrgicos que antecederam o anúncio de sua nova fábrica de motores na Bahia (leia aqui). “Foi uma briga do sindicato”, afirma Júlio Bonfim, negociador e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari. “A Ford queria concentrar a produção desses motores no México e lutamos para que fosse aqui. Afinal, serão 550 novos empregos diretos e mais de 5 mil indiretos”, estima.
Tudo aconteceu praticamente sem que nenhuma notícia circulasse na grande imprensa. No último dia 8 de dezembro os metalúrgicos anunciaram em seu blog o resultado da negociação. Apesar da queda de produção e vendas da Ford, o sindicato obteve R$ 11.500 para cada um dos cerca de 10 mil trabalhadores do Complexo Ford, incluindo os trabalhadores dos 27 sistemistas que atuam diretamente na fábrica, como Participação nos Resultados (PR). “São cerca de 3.500 funcionários da Ford e outros 6.500 das parceiras”, estima Bonfim. “Pleiteamos esse valor por produtividade e com base na média paga em outros Estados. Também conseguimos abono de R$ 3.300 para pagamento em janeiro.”

Trabalhadores do turno da manhã da fábrica de Camaçari votam em assembleia.
O sindicalista comenta as dificuldades enfrentadas na negociação: “A Ford ainda não tem um novo carro, vem perdendo mercado para a Renault, as vendas estão baixas e a produção caiu de 900 para 450 a 500 unidades diárias”, diz Bonfim.
Metalúrgicos de fornecedores instalados do lado de fora do complexo (Thyssenkrupp, Sian, Imbe e Magna) receberão R$ 6.710 como Participação nos Resultados e abono de R$ 2.300.
Veja a seguir os principais pontos do acordo da Ford Camaçari:
-R$ 11.500 de PR total, com pagamento neste mês a todos os empregados da manutenção e setores operacional e administrativo;
-Abono de R$ 3.300, com pagamento em janeiro a todos os empregados da manutenção e setores operacional e administrativo;
-Reajuste do Complexo Ford em 10%;
-10% de adicional sobre jornada para a estamparia;
-PR de 2012 também de R$ 11.500, mas corrigida, para todos os empregados da manutenção e setores operacional e administrativo.