
Em 2019 a Ford perdeu seu histórico quarto lugar, mantido por mais de 30 anos, e desceu para a quinta posição no ranking de marcas mais vendidas de veículos leves no Brasil, algo que acontece pela segunda vez nesta década – em 2016 foi pior, ficou em sexto superada por Hyundai e Toyota. Desta vez a Renault superou a Ford, subindo da quinta para a quarta colocação.
A Ford decidiu deliberadamente reduzir sua presença no mercado brasileiro para parar de perder dinheiro aqui. No ano passado decidiu fechar a fábrica de São Bernardo do Campo, onde deixou de produzir caminhões e o Fiesta, parou de fazer o Focus na Argentina e promoveu poucas renovações de produtos. O hatch Ka, apesar de ter sido o segundo carro mais vendido do ano, muito focado em vendas diretas, não conseguiu sozinho sustentar a colocação da fabricante, que vendeu 218,5 mil unidades – cerca de metade deste número, 104 mil, foi completado só pelo Ka e outros 25% pelo Ka Sedan (51 mil emplacamentos), enquanto o EcoSport não consegue alçar voos mais altos (34 mil). O resultado foi de queda de 3,5% sobre 2018 em ano que as vendas no País cresceram 7,6% na média. Com isso, a Ford perdeu quase um ponto porcentual de participação nas vendas nacionais, terminando dezembro com 8,2%.
Já a GM conseguiu sustentar com folga sua primeira posição no ranking pelo quarto ano consecutivo com a marca Chevrolet, que somou vendas de 475,7 mil unidades, em crescimento de 9,5% sobre 2018, o que assegurou participação de quase 18%, levemente maior do que no ano anterior. Mais uma vez o hatch Onix, carro mais vendido do País com novo recorde de 241,2 mil emplacamentos de janeiro a dezembro, garantiu metade do resultado da GM. O desempenho foi impressionante: o Onix vendeu mais do que o segundo (Ford Ka) e terceiro (Hyundai HB20) colocados somados. Com a renovação da linha já no fim do ano e esperados lançamentos de SUVs nacionais a fabricante tem condições de defender novamente sua liderança em 2020.
A Volkswagen vem logo atrás e até conseguiu superar a rival em algumas semanas do ano passado. Terminou 2019 com 414,5 mil emplacamentos, em expressivo crescimento de 12,6% e ganho de quase 0,7 ponto de participação, agora em 15,6%. A Volkswagen conseguiu mesclar sua força comercial em diversos modelos nacionais, especialmente (pela ordem) Gol, Polo, Virtus, Fox e o SUV T-Cross que teve cerca de meio ano de vendas após seu lançamento em maio.
Apesar da falta de novidades, a Fiat conseguiu defender bem sua terceira colocação, com 366 mil emplacamentos, bom crescimento de 12,4% (bastante acima da média do mercado) e ganho de 0,6 ponto de participação, fechando 2019 com 13,8%. Pela ordem, Argo, Strada, Toro e Mobi foram responsáveis por quase todo o resultado.
Já há alguns anos a FCA (Fiat Chrysler Automobiles) prefere destacar que lidera o mercado brasileiro como fabricante, com 496,7 mil emplacamentos e crescimento de 14,5% sobre 2018. Para isso, agrega ao resultado do ano especialmente as boas vendas da Jeep, que com apenas dois SUVs nacionais produzidos em Pernambuco (Renegade e Compass, respectivamente nono e décimo carros mais vendidos do País), com preços acima dos R$ 100 mil, fechou 2019 com 106,9 mil vendas, em vistosa expansão anual de 21%, subindo da nona para a oitava posição do ranking nacional, com ganho de meio ponto de participação, que terminou o ano em 4,9%.
Graças ao bom desempenho do Kwid e Sandero (renovado em 2019) no segmento de vendas diretas e no varejo, a Renault subiu do quinto para o quarto lugar no ranking das marcas mais vendidas, com 239,2 mil veículos emplacados no ano, em alta de 11,3% sobre 2018 e pequena elevação de participação, para 9%.
Apesar de suas vendas terem crescido rigorosamente em linha com o mercado, 7,8%, com 215,7 mil emplacamentos no ano, a Toyota conseguiu subir um degrau no ranking, da sétima para a sexta posição, fechando dezembro com participação estável em 8,1%. O principal produto da marca japonesa no País, o sedã Corolla ainda se sustentou como 12º carro mais vendido do País mesmo com o lançamento (em setembro) da nova geração do modelo, que nos meses finais em 2019 começou a ganhar mais fôlego.
Mesmo com pouca expansão porcentual, a Toyota tomou o lugar da Hyundai, que em 2019 perdeu meio ponto de participação, desceu da sexta para a sétima posição com 7,8% de market share, totalizando 207,6 mil emplacamentos, em imperceptível alta de 0,5% sobre 2018. O desempenho fraco pode ser atribuído à renovação do principal produto da marca coreana no País, o HB20. O hatch terminou o ano como terceiro carro mais vendido do País, mas o número foi inferior ao do exercício anterior.
As japonesas Honda e Nissan fecham o ranking das marcas mais vendidas em 2019 respectivamente na nona e décima posições. Ambas fecharam 2019 sem novidades relevantes e com pequenas quedas das vendas na comparação com 2018. Na Honda a retração foi de quase 2%, com 129 mil emplacamentos e participação de 4,8%, redução de meio ponto sobre o ano anterior. A Nissan, com vendas de 96 mil unidades, apurou recuo de 1,5% e share de 3,6%, quase estável em relação a 2018. 
Houve também algumas movimentações interessantes no ranking abaixo da décima colocação. Mesmo sem apresentar novidades no ano, a Citroën subiu duas posições, da 13ª para a 11ª, com vistoso crescimento de 84,5%, mas com baixo volume de emplacamentos que somou 26,5 mil unidades, fazendo a participação da marca fechar 2019 em 1%, 0,4 ponto maior do que em 2018, graças ao bom desempenho do SUV C4 Cactus.
A Citroën tomou o lugar da marca irmã de grupo PSA, a Peugeot, que desceu da 11ª para a 13ª posição com 21,6 mil veículos emplacados, em retração de 8,7% e participação de 0,8%, quase igual a 2018. A leve renovação do SUV compacto 2008 não surtiu efeito, já que a versão turbo com câmbio automático só chegou ao mercado já no fim do ano.
Sem se mexer, no meio das marcas francesas, em 12º, ficou a japonesa Mitsubishi, com 21,9 mil emplacamentos, pequena queda de 1,1% e participação estável em 0,82%.
O melhor desempenho porcentual do ano foi da Caoa Chery, que após vários lançamentos em 2019 saltou da 18ª para a 14ª colocação entre as marcas mais vendidas, com 20,2 mil emplacamentos e crescimento vistoso de 133,6%, fechando o ano com participação de 0,76%, com ganho de 0,4 ponto sobre o ano anterior.