
A picape é um projeto realmente novo, que exigiu o investimento de US$ 1,1 bilhão e quatro anos de pesquisa de mercado. “Foram realizadas diversas clínicas em diferentes mercados. A picape começou a ser produzida na Ásia, depois África e agora na América do Sul”, afirma Milton Lubraico, diretor de desenvolvimento de produto. A picape estará à venda em 180 países.
Quando perguntado sobre a chegada da picape alguns meses depois da concorrente S10, o diretor de marketing para a América do Sul, Mark Kaufman, explicou: “Na verdade, ela chegou dentro de uma programação que previa defasagem de três meses entre cada mercado em que é produzida (Indonésia, África do Sul e agora Argentina), para correção de eventuais falhas.”
DUAS CABINES E TRÊS MOTORES

No interior redesenhado, as versões mais luxuosas da nova Ford Ranger tem 23 porta-objetos e compartimento refrigerado. O banco traseiro acomoda bem três passageiros. O motor 3.2 Duratorq da foto acima é a opção diesel mais potente da linha, com 200 cv. As versões flex têm câmbio manual de cinco marchas e aquelas a diesel usam caixa de seis marchas manual ou automática (fotos: Mário Curcio e divulgação)
A picape tem cabines simples e dupla e três opções de motor, um quatro-cilindros 2.5 flexível com até 173 cv. É o mais potente da categoria e vem do México. Essa unidade também estará no sedã Fusion em algumas semanas. Os outros propulsores da nova Ranger são dois argentinos turbodiesel, um 2.2 de quatro cilindros e 125 cv e outro 3.2 outro de cinco cilindros.
Ambos fazem parte de uma mesma família de motores e são feitos numa nova planta inaugurada em Pacheco em novembro de 2011. A fábrica recebeu US$ 21 milhões e tem capacidade anual, segundo a Ford, para 44 mil motores por ano com um turno de trabalho.
Também há três caixas de transmissão para a Ranger, uma manual de cinco marchas para a versão flex e duas de seis velocidades para equipar os motores a diesel, sendo uma manual e outra automática. As manuais vêm da China e a automática, dos Estados unidos. Todas são Ford Getrag. As versões flex têm apenas tração traseira e toda a linha a diesel é 4×4.
Os preços da picape partem de R$ 61,9 mil na cabine simples XLS 2.5 flex e vão a R$ 130,9 mil na cabine dupla Limited 3.2 turbodiesel. São 12 opções disponíveis, uma delas fornecida sem a caçamba. A garantia oferecida é de três anos para toda a linha Ranger.
Os preços são bastante competitivos na comparação com a concorrência. A Ford não revela a pretensão de vendas, mas já avisa que o segundo turno de produção da picape começa a operar em breve (a S10 é feita em três períodos). Entre os itens de segurança disponíveis como itens opcionais ou de série estão controle de tração proativo, controle automático de velocidade em descidas, assistência de partida em rampas, controle anticapotagem, controle contra oscilação de reboque, controle adaptativo de carga e assistência de frenagem de emergência.
Airbags frontais também estão na picape e há opção para bolsas infláveis de cortina para proteção da cabeça e tórax. A picape recebeu o número máximo de estrelas (cinco) pelo Euro NCAP. Entre os itens disponíveis nas versões mais luxuosas há ar-condicionado automático com duas zonas distintas de temperatura, navegador GPS integrado com mapas do Brasil e tela de cristal líquido de cinco polegadas, sensor de estacionamento traseiro, câmera de ré embutida no logotipo Ford, na tampa da caçamba. Sua imagem é projetada no retrovisor interno.
ESPAÇO INTERNO E NOVO MOTOR 3.2 CONVENCEM
Quem dirigiu a Ranger antiga vai notar uma grande diferença na visibilidade para frente e para cima. O para-brisa maior e mais inclinado da nova picape não obriga mais o motorista a baixar a cabeça para ver alguns semáforos. Outra grande melhora ocorreu no banco traseiro, que tem agora 90 centímetros para as pernas. A inclinação do encosto também ajudou a melhorar o conforto. As respostas do novo motor 3.2 agradam tanto em rodovias como no uso fora de estrada.
A capacidade cúbica elevada e a turbina Garrett de geometria variável colaboram para essa boa impressão. A versão avaliada por Automotive Business utilizava uma transmissão manual de seis marchas com engates pesados e sexta marcha um tanto difícil de engatar.
Um recurso eletrônico ajuda muito no uso fora de estrada da picape. É o controle de descida em rampa, acionado por um botão no painel. Ele ajuda o motorista a descer ladeiras de forma segura, de frente ou de traseira. Com essa função não é necessário o uso dos freios e o controle da velocidade pode ser feito pelos comandos no volante.

Câmera de ré fica no logotipo Ford da caçamba. Imagem é projetada no retrovisor interno (fotos: divulgação).
Reportagem atualizada em 2 de julho às 4h05.