
Em São Bernardo, a parada da linha de automóveis será de 7 a 18 de julho. Em Taubaté, deixam de operar as linhas de motores de 9 a 27 de junho. Na Bahia, os empregados ficam afastados pela medida de 11 a 23 de junho, mas só voltam à ativa em 1º de julho, após festa de São João.
O executivo salienta que a Ford tem feito bom trabalho de projeções desde o início do ano (a empresa já esperava pela queda – leia aqui), o que contribuiu para que a empresa tivesse estoque menor do que a média. Contudo, não será possível fugir das paradas de produção. “Não temos problema grande de estoques para resolver, mas com a desaceleração do mercado, vamos parar para não termos prejuízos maiores. É o jeito”, declarou.
Golfarb analisa a situação da indústria como “significantemente pior e mais séria do que os números de vendas estão transparecendo.” Ele chama atenção para o fato de que as vendas estão cada vez mais baixas no comparativo de cada mês deste ano com os mesmos meses do ano anterior. “Na comparação de maio contra a maio, a queda do mercado foi de 7,2%, superior ao do acumulado do ano, de 5,5%. E desde fevereiro os comparativos mensais têm caído cada vez mais, aumentando a capacidade ociosa da indústria.”
O executivo aponta que o mercado interno só não teve desempenho pior este ano porque as vendas para clientes frotistas estão em alta. “Em maio representaram mais de 29% do total emplacado. É uma participação recorde.”
O cenário de produção também o assusta. “Vemos uma clara tendência de deterioração. No acumulado de janeiro a maio, a capacidade produtiva caiu 13,3%. Maio de 2014 contra maio de 2013 mostra retração ainda maior, de 18%. A capacidade ociosa da indústria gira em torno de 34%.”
O cenário de exportação também é visto como complicado. “As exportações caíram 31,6% no acumulado e 27% maio contra maio. Mesmo com a retomada de fluxo com a Argentina não haverá mudanças significativas, pois a demanda por carros neste país já caiu 45%.”
2º SEMESTRE
Golfarb diz que a Ford vai rever a sua atual previsão para o mercado (queda superior a 1%) no segundo semestre. “Ainda não podemos divulgar este novo número, mas já temos consciência de que a retração será ainda mais profunda neste ano desafiador.”
O vice-presidente da Ford não vê melhoras significativas no segundo semestre. “A negociação com alguns bancos para liberar maior número de financiamentos tem avançado. É uma frente que pode ajudar. Mas o problema das vendas está além da seletividade do crédito. Ele não deve ser decisivo para reverter essa situação, visto o endividamento das famílias e a preocupação geral com a conjuntura. Com dificuldades econômicas, o consumidor coloca a compra do automóvel em segundo plano.” O aumento do IPI previsto para 1º de julho, segundo ele, tende a ser outro agravante.
Somada à dificuldade do segmento de leves está a queda na demanda por caminhões. “Mesmo com a volta do BNDES simplificado, os números de pedidos de licenciamento têm caído. Estamos com a demanda reprimida e não vejo grandes melhoras este ano.”
Mesmo diante de todas essas dificuldades, Golfarb espera por aumento de market share da Ford, principalmente por causa do lançamento do Novo Ka (tanto hatch quanto sedã) no segundo semestre, que tende a ser o seu modelo mais vendido no Brasil. Atualmente, a Ford tem 8,39% de fatia no segmento de leves, atrás de Volkswagen, com 19,56%, de GM, com 19,21%, e de Fiat, com 19,09%.