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Ford vai ampliar pesquisa e uso de materiais alternativos

Redação AB
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18 abr 2012

2 minutos de leitura

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A Ford vai ampliar as pesquisas e utilização de novos materiais para substituir derivados de petróleo nas peças de seus veículos. Os insumos investigados incluem celulose, cana-de-açúcar, dente-de-leão, milho, fibra de coco e até papel-moeda recolhido. Na linha de produtos globais da marca, o novo Fusion (foto) vai utilizar o equivalente a duas calças jeans transformadas em material isolante para atenuar os ruídos de rodagem, do vento e do motor.

Atualmente, todos os carros produzidos pela Ford na América do Sul utilizam 5 a 7 quilos de garrafas plásticas recicladas na forma de carpetes, forro de teto, caixas de roda e mantas acústicas. O painel dos novos caminhões Cargo é feito com fibra natural de sisal. Na América do Norte, todo carro Ford usa espuma à base de soja nos bancos. O utilitário Escape utiliza o kenaf, um tipo de algodão, aplicado nos apoios das portas, além de 4,5 quilos de algodão reciclado de calças jeans, camisetas e outras peças de vestuário no painel. Cerca de 25 garrafas plásticas também são usadas na produção dos carpetes do modelo.

O Focus Electric usa materiais à base de fibra de madeira nas portas e garrafas plásticas recicladas no tecido dos bancos. O Flex utiliza palha de trigo nos porta-objetos. Já o Taurus SHO aplica um tipo de camurça produzido com fios 100% reciclados. Segundo a fabricante, o reaproveitamento de materiais é uma opção atraente de negócio. A empresa trabalha com colaboradores de empresas químicas, universidades e fornecedores para desenvolver materiais alternativos capazes de substituir ao máximo os cerca de 136 quilos de plástico usados em um veículo.

No começo dos anos 2000, quando a Ford começou a investir forte na pesquisa de materiais sustentáveis, o petróleo custava US$ 16,65 o barril. Este ano, seu preço chegou a US$ 109,77. Outro atrativo dos novos materiais pesquisados é a abundância. Como exemplo, cerca de 3,5 toneladas a 4,5 toneladas de papel-moeda são retiradas diariamente de circulação nos Estados Unidos.

SOJA COMO MATÉRIA-PRIMA

A soja pode ser considerada o primeiro passo no uso de materiais sustentáveis na montadora. Henry Ford, seu fundador, apresentou em 1941 o protótipo Soybean Car, com carroceria feita de composto plástico com fibra de soja, sisal, cânhamo e palha de trigo. O “Carro de Soja” era 450 quilos mais leve que o de aço estampado e dez vezes mais resistente. Na sua demonstração, Henry Ford usou uma marreta para provar essa qualidade.

O projeto atual de uso da soja começou há dez anos, quando um grupo de fazendeiros se aproximou da Ford buscando novos usos para as colheitas abundantes do meio-oeste americano. Os pesquisadores da Ford se desafiaram a desenvolver espumas a partir da soja que atendessem os requisitos de desempenho e durabilidade.