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Fornecedores da Embraer querem ser automotivos

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Redação AB

14 jul 2011

5 minutos de leitura

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Paulo Ricardo Braga, de São José dos Campos, AB

Conquistar a Embraer como cliente é apenas o primeiro passo para fornecedores de componentes, sistemas e serviços instalados no Vale do Paraíba, no interior paulista, que se reuniram sob a bandeira do Cecompi (Centro de Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista). Em grupo, todos trabalham com o objetivo comum de promover negócios e criar oportunidades em diferentes segmentos. A indústria aeronáutica ainda é o foco de quase todas, o que traz preocupação permanente. “Há dependência muito grande de um único cliente, que é a Embraer”, explica Agliberto Chagas (foto), gerente executivo e criador do Cecompi.

As empresas da região são maioria no Centro de Competitividade, que abriga outras, mais distantes, de São Paulo e Campinas. Chagas enxerga no setor automotivo um saída a médio prazo para estabilizar a carteira de encomendas dos filiados à entidade. Para ele, o ideal seria fornecer 60% para o setor aeronáutico e outros 40% para a cadeia automotiva. Depois, fomentar negócios também em petróleo e gás, já que a Bacia de Santos promete ser um polo importante no futuro próximo. Além da Embraer, também a Petrobras faz parte do Cecompi. Falta atrair os fabricantes de veículos, como Ford, General Motors e Volkswagen, que atuam em Taubaté e São José dos Campos, e mais tarde a chinesa Chery, que constrói fábrica em Jacareí.

O Cecompi estimulou o crescimento de diversos empreendimentos na região e informa que, graças à Finep, agência financiadora de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia, 47 empresas receberam recursos de R$ 160 milhões para seus projetos. Uma delas é a Flight Technologies, de São José dos Campos, especialista em aviônicos. Outra é a Geômetra, que trabalha em projetos avançados de aeronaves, como o TXC.

Globo Usinagem: da Embraer para o mundo


Mauro Ferreira, da Globo Usinagem

Terceiro exemplo importante vem da Globo Usinagem, que tem uma de suas fábricas em Jambeiro, ao lado da Delphi (a outra fica em Botucatu, onde a Embraer também está presente). “O centro alavancou negócios e nos levou a feiras no exterior que trouxeram resultados efetivos”, testemunha o sócio-diretor Mauro Ferreira. A empresa tem 75% dos negócios centrados na Embraer e outros 15% voltados para a Asco, da Bélgica, e Eaton Aerospace, dos Estados Unidos. A indústria automobilística responde pelos 10% restantes.

“Conquistamos a Asco e a Eaton em feiras internacionais de aeronáutica, com apoio também da Apex (Agência de Promoção de Exportações do MDIC)”, pondera Ferreira, que participou da fundação da Globo Usinagem, em 1985. A empresa marcou passo até 1994, quando passou a atender a Embraer. Daí em diante cresceu rápido, com investimentos significativos, que o diretor prefere não informar.

Agliberto Chagas refere-se à Globo Usinagem como um case dos mais expressivos entre as filiadas. “A empresa é 100% nacional e avançou de maneira admirável na cadeia de suprimentos aeronáutica, a mais exigente na indústria.” Com 330 empregados, a Globo usina peças em alumínio, aços especiais e titânio em máquinas automáticas e semiautomáticas de alta precisão, a partir da programação mensal enviada pela Embraer.

Ferreira explica que as exigências do setor aeronáutico são desafiadoras e levam a empresa a investir continuamente em novas máquinas, ferramentas e tecnologias, incluindo softwares especiais. A Globo ainda não trabalha em projeto, apenas em execução de usinagem de peças como buchas, pinos e perfis e montagem de pequenos sistemas.

A outra fábrica, em Botucatu, com estrutura similar à de Jambeiro, atende a unidade da Embraer na região. E a Globo acaba de estabelecer joint venture com a OES Villella, empresa italiana especializada em soldas especiais. O empreendimento foi estimulado pela Embraer, que precisa de serviços nesse campo.

Incentivo à diversificação

“Temos incentivado os fornecedores a ampliar a atuação, reconhecendo que eles devem ter uma carteira de encomendas diversificada e com maior número de clientes”, afirma Anderson de Sá, do Kaizen Promotion Office da Embraer, de São José dos Campos.

Todas essas iniciativas são vistas com bons olhos pelo prefeito de São José, Eduardo Cury, que participou da abertura da Expo Aero Brasil, na quinta-feira, 14, ao lado de autoridades militares ligadas à aeronáutica. Ele é um dos incentivadores do parque tecnológico da região, do governo do Estado, que abriga a Vale Soluções em Energia, a Embraer e o Cecompi, entre outras empresas.

Cury disse que São José não entrou na disputa pela instalação da chinesa Chery, que escolheu Jacareí, cidade vizinha, para erguer sua fábrica brasileira.