
A diversidade é estratégia-chave para a inovação das empresas do setor automotivo. Mas como promover ações efetivas e trazer resultados em meio a um cenário de crise e pandemia? Este foi o tema dos debates do Fórum AB Diversidade no Setor Automotivo (inscreva-se gratuitamente e confira aqui). Lideranças de algumas das principais empresas automotivas debateram as boas práticas para fomentar a pluralidade nas organizações. O evento aconteceu na terça-feira, 21, em transmissão on-line.
Com a maioria das equipes trabalhando em home office, os grupos de afinidade foram uma das ações mais relevantes para D&I, apontadas durante os painéis.
“A pandemia trouxe novos desafios, como o de entender as necessidades das mulheres durante a jornada de trabalho flexível”, afirmou a gerente sênior de vendas automotivo para América do Sul da TE Connectivity, Mônica Biazon. “Foi o ano em que a gente mais teve adesão ao nosso grupo de afinidade de gênero, que é tanto para mulheres quanto homens. Focamos em emponderar as mulheres para serem protagonistas das suas carreiras, que possam colocar suas dificuldades, superar e crescer na empresa.”
Além disso, os grupos são um espaço seguro para acolhimento dos colaboradores. “Para as pessoas negras, é importante trabalhar a segurança psicológica porque tem questões próprias, como às vezes ser a única pessoa negra em uma reunião”, disse a líder do Grupo de Recursos de Colaboradores Afro da Cummins, Eveline Santos, também especialista em finanças da companhia. “Os grupos de afinidade precisam trazer esse tema e dar espaço seguro para as pessoas negras falarem sobre suas dores causadas por toda a vivência dessa população na sociedade brasileira. É fundamental ouvir essas vozes e, a partir disso, fazer a ponte com as lideranças para desenvolver ações que promovam o espaço mais inclusivo.”
O engajamento das lideranças é, inclusive, apontado como passo essencial na promoção da diversidade. Há quatro meses, o Banco Mercedes-Benz é comandado pela primeira CEO mulher: a alemã Hilke Janssen. De acordo com a gerente de RH do banco, Georgina Santos, a chegada da CEO já mostra impacto positivo. A partir de novembro, dois terços do board da empresa será formado por mulheres.
Os líderes de amanhã, são os estagiários de hoje. Por isso, o Fórum também trouxe a importância de fomentar a pluralidade entre os jovens que estão chegando nas empresas. Recentemente, a Lear e a Renault fizeram em seus programas de estágio e trainee exclusivos para pessoas negras.
“Vimos a oportunidade de trazer mais profissionais negros para ampliar a diversidade no mercado de trabalho. Consideramos as questões históricas raciais, assim como a bagagem de vida de cada pessoa, como isso dificultou ou facilitou a chegada do indivíduo até ali. As mulheres negras, por exemplo, sofrem grande invisibilidade e diferentes tipos de violência. Como empresas, precisamos trabalhar para transformar essa realidade”, contou a líder de Diversidade, Equidade & Inclusão da Lear Corporation, Elaine Reis.