
O investimento de R$ 250 milhões foi mantido e confirmado para Guaíba após o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) garantir um empréstimo de R$ 40 milhões para o início das obras. O valor será devolvido quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberar o financiamento de 80% do investimento, em operação que deve ser finalizada em um ano.
A situação reflete a pouca transparência da Foton e sua real capacidade financeira. Segundo apurou o jornal Zero Hora, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, tratou do assunto pessoalmente com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em uma reunião realizada na terça-feira, 12, no Rio de Janeiro, para tratar a possibilidade da efetivação de novos financiamentos para o Estado gaúcho. Ao lado do secretário do Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI), Mauro Knijnik, o governador conduziu a assinatura do protocolo na tarde de terça-feira no Palácio Piratini, em Porto Alegre, com o presidente da Foton Aumark do Brasil, Luiz Carlos Mendonça de Barros.
Em Guaíba, a empresa terá disponível um terreno já terraplanado, de 1,5 milhão de metros quadrados do qual ficará reservada uma área de 500 mil metros quadrados para a instalação de fornecedores. O local é o mesmo onde seria construída a fábrica da Ford, que decidiu ir para Camaçari, na Bahia, no fim dos anos 1990.
A Foton Aumark montará caminhões de 3,5 toneladas a 24 toneladas com autorização da Beiqi Foton Motor, que tem sede em Pequim, mediante o pagamento de royalties. Após a preparação do terreno, a obra deve começar em fevereiro de 2014. O início da produção está previsto para o fim de 2015 ou início de 2016, com a geração de 300 empregos diretos. A capacidade instalada inicial será de 21 mil veículos por ano.
Segundo Mendonça de Barros, um contrato assinado na Suíça garante ao grupo chinês a prioridade para aquisição de parte ou de todo o negócio brasileiro em um prazo de 12 anos.
IMBRÓGLIO
Em 2011, quando a Foton iniciou as negociações para construir sua fábrica no Brasil, a empresa passou rapidamente por Espírito Santo e São Paulo, quando, na fase final de escolha do local da planta, se viu diante de Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. No mês passado, a empresa divulgou abertamente que tinha escolhido o Rio de Janeiro, que teria negociado de forma muito ágil para obter o investimento, e desistido do Rio Grande do Sul alegando burocracia e lentidão do governo gaúcho.
No acordo firmado com o governador fluminense, Sérgio Cabral, o Estado entraria como sócio de até 30% no empreendimento. Faltaria apenas decidir a cidade: a disputa estava entre Itatiaia, no alto da serra e próxima a Resende, ou Seropédica, na região metropolitana do Grande Rio.
Contudo, no início deste mês, a Foton voltou a procurar o governo do Rio Grande do Sul para retomar a negociação, porque segundo os jornais não aprovou nenhuma das duas áreas oferecidas pelo governo fluminense. O fato é que, no Rio Grande do Sul, a Foton Aumark não precisará ter o governo estadual como sócio, como aconteceria no Rio de Janeiro, pois terá o empréstimo direto do banco estatal.