logo

none

FPT prepara motor 1.6 litro e pensa na Chrysler

Franco Ciranni, diretor superintendente da FPT Powertrain Technologies, tinha motivos de sobra para estar preocupado durante o encontro promovido pela empresa com jornalistas na quarta-feira, 21 de agosto. Sua atenção estava voltada, em primeiro lugar, para o impacto dos resultados do exercício de 2008 que seriam anunciados no dia seguinte, 22, pelo Grupo Fiat. Ele já sabia que o mercado receberia com restrições os indicadores. Não deu outra: as ações da Fiat despencaram e as agências de risco prometeram reavaliar a posição da marca.
Author image

cria

23 jan 2009

2 minutos de leitura

Fornecedor exclusivo de motores flex para a Fiat Automóveis e diesel para a Iveco, Ciranni também não escondia suas expectativas em relação ao comportamento do mercado interno. Com a queda nas encomendas no final do ano e um primeiro trimestre de causar arrepios, ele fazia contas para justificar que a compra da Tritec, no Paraná, em março, foi um bom negócio. Por US$ 250 milhões a FPT absorveu a unidade de Campo Largo que fornecia motores para a Chrysler e para a BMW.

Apesar da queda no mercado automotivo, Ciranni garante que a compra foi importante para elevar a capacidade no fornecimento de motores e explicou que a nova unidade é bastante moderna e os projetos dos motores são avançados, trazendo novas oportunidades no desenvolvimento do portifólio de produtos da empresa. Ele trabalha, no momento, para colocar as linhas de montagem em operação até setembro e colocar à disposição do mercado os motores 1.6 litro aspirado, a gasolina e flex. A versão a gasolina será destinada à exportação.

“Estamos adequando a fábrica ao nosso estilo de produzir. Estamos também nos empenhando em criar a versão flex do motor Tritec, originarinalmente concebido para gasolina pura” – disse Ciranni, que deslocou ao Paraná parte de sua equipe para comandar a operação.

A empresa não adquiriu, no pacote, a opção pelo modelo turbo. No entanto, não terá dificuldade em desenvolvê-la, se julgar adequado. Os motores turbos ainda não têm preço competitivo para brigar no mercado interno e só poderão ser justificados em veículos de categoria superior, como o Linea, que utiliza o T-Jet importado.

É praticamente certo que a FPT não produzirá motores 1.4 litro em Campo Largo, já que a fábrica de Betim dá conta do recado com a versão Fire, que tem custo adequado para a realidade brasileira. A empresa, no entanto, ainda faz segredo sobre o desenvolvimento de uma versão 1.8 litro, para substituir o propulsor atualmente fornecido pela General Motors.

É difícil acreditar que Ciranni tivesse pensado em fornecer motores à Chrysler quando a FPT adquiriu a unidade de Campo Largo. Agora, no entanto, a oportunidade parece se abrir, já que os carros compactos serão parte importante nos planos da aliança que Fiat e Chrysler estão costurando. Pelo menos, o executivo não descarta essa possibilidade.