
O executivo da Volkswagen acredita que assumir a presidência da SAE Brasil em ano de dificuldades para a indústria automotiva não é completamente negativo. “Em momentos assim temos a chance de fazer as coisas de modo diferente e evoluir. As empresas e países sempre saem da crise fortalecidos”, avalia, admitindo que é conhecido por seu otimismo.
William Bertagni, diretor de engenharia da General Motors no Brasil, será o vice-presidente desta gestão, o que sinaliza que o executivo será o presidente da SAE no período seguinte, de 2017 a 2018. Até lá Sowade pretende trabalhar pelo “engrandecimento da engenharia brasileira.” O novo dirigente aponta para uma mudança imediata no cenário do setor no Brasil: a chegada das plataformas e carros globais.
Segundo ele, este movimento exige grande trabalho de adaptação das tecnologias ao mercado nacional. Umas das questões chave é a adequação aos combustíveis locais, tanto no caso dos modelos flex quanto em relação à gasolina, que tem grande porcentual de etanol. “A maior parte das montadoras instaladas aqui já está no nível global, mas ainda há diferença no prazo de chegada de algumas tecnologias no Brasil na comparação com os mercados mais maduros”, explica. Reduzir este intervalo é uma meta de Sowade. “As novidades têm de chegar aqui ao mesmo tempo em que chegam lá fora”, determina.
Ele acredita que a globalização dos produtos é a grande responsável pela melhoria da eficiência energética que os carros lançados mais recentemente apresentam. “O Inovar-Auto deu mais um empurrão, mas isso começou com a tendência de downsizing dos motores”, explica, citando a diminuição do tamanho dos propulsores com ganho de potência. Ainda assim, ele entende que foi positivo o regime automotivo ter estimulado as montadoras a participarem do programa de etiquetagem veicular do Inmetro, que classifica os carros conforme o consumo de combustível e as emissões.
Sowade acredita que, em sua provável segunda etapa a partir de 2017, o Inovar-Auto deve incentivar o uso de etanol. “O álcool é pouco explorado hoje. Deveríamos priorizar, já que somos um País grande, com potencial para produzir o nosso próprio combustível”, defende.
Assista à entrevista exclusiva com Frank Sowade, presidente da SAE Brasil:
