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Redação AB, com informações do Estadão, Portal Exame e Valor
A notícia chegou de forma surpreendente na manhã desta terça-feira, 22: Denise Johnson estava deixando o comando da General Motors do Brasil, antes mesmo de completar oito meses no cargo que recebeu de Jaime Ardila, promovido a presidente para a América do Sul. No primeiro momento houve incredulidade sobre o fato, o que levou à tentativa de confirmação e depois de entendimento do que ‘havia acontecido’.
Os rumores logo se tornaram certeza, mas foi difícil encontrar razões efetivas para a decisão, que levou Jaime Ardila a emitir uma nota lacônica a respeito, atribuindo a demissão de Denise a questões pessoais – ela estaria em busca de novas oportunidades de carreira. Interinamente, ele volta a atender ao posto.
Tudo indica que a decisão final de Denise foi rápida. Dias antes ela havia confirmado a presença em eventos do setor – entre os quais o II Fórum da Indústria Automobilística, promovido por Automotive Business no início de abril.
O portal de Exame na Internet apontou, na terça-feira, que a razão para Denise deixar o comando da filial brasileira extrapolavam assuntos pessoais. Marcelo Onaga escreve que o problema estaria relacionados ao relacionamento interno na companhia e à condução de projetos como o lançamento da nova versão da picape Montana. Ela estaria questionando, também, a qualidade dos produtos.
Outra hipótese para o desfecho na carreira da executiva seria um desentendimento com a direção global, que estaria cobrando aumento na remessa de lucros num momento em que a filial precisa investir localmente.
Cleide Silva registra no Estadão desta quarta-feira que várias pessoas com as quais Denise tinha contato afirmaram ter se surpreendido com a notícia. Haveria dificuldade de adequação da presidente. Segundo declarações, ela não era uma executiva ativa, que participava das discussões de projetos e raramente ia a eventos corporativos informais. Ou seja, não teria se adaptado ao ambiente de executivos, concessionários e fornecedores acostumados a brincadeiras nem sempre agradáveis.
Denise veio para o Brasil sozinha, deixando nos Estados Unidos o marido (engenheiro especializado em manufatura, com quem se casou aos 19 anos) e três filhas com idade entre 19 e 24 anos. Ela concedeu entrevista a Automotive Business depois da chegada ao País, onde pretendia ficar três anos, e foi capa da revista depois de tomar posse, em julho de 2010. No depoimento elegeu o Agile como seu carro preferido entre os nacionais.
Questionada sobre a escolha de uma mulher engenheira para comandar a operação brasileira, até então conduzida por homens de finanças, Denise atribuiu a sua escolha à experiência em operações e produto. “Haverá desafios importantes daqui em diante para o desenvolvimento de novos veículos e expansão da manufatura, tarefas com as quais tenho familiaridade” – afirmou na época.
Engenheira mecânica com mestrado em administração pelo MIT – Massachusetts Institute of Technology, Denise é especialista em produto e manufatura, e havia atuado na área de relações trabalhistas antes de vir para o Brasil. Ela ingressou na corporação em 1989, como engenheira de produto. Passou por várias posições na área de engenharia, manufatura e planejamento antes de ser apontada como gerente de área na fábrica de carros em Lansing. Entre 2003 e 2005 foi diretora de planejamento de negócios junto ao board de planejamento estratégico da América do Norte.
A engenheira da GM nasceu em Lansing, Michigan, em 22 de setembro de 1966. Em 2002 recebeu o Automotive Hall of Fame como liderança jovem. Em 2010 foi apontada pela revista Automotive News como um das cem mulheres líderes na indústria automobilística norte-americana.
Nesta quinta-feira, 24, Jaime Ardila terá encontro com jornalistas para divulgar os resultados globais da General Motors e comentar o desempenho da companhia na região. O que não estava na pauta, aparentemente, era explicar também a saída da colega norte-americana do comando da operação local.
Foto: Denise Johnson, presidente da GM do Brasil, entre Marcos Munhoz, vice-presidente de comunicação, relações públicas e governamentais, e Jaime Ardila, presidente da operação na América do Sul.