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Funcionários da Mercedes fazem paralisação contra terceirizações

Em assembleia, trabalhadores da área de logística no ABC contestam movimentos da montadora e PDV
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Redação AB

28 set 2022

2 minutos de leitura

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Os trabalhadores da Mercedes-Benz reagiram à iniciativa da fabricante de terceirizar parte de suas operações. Em assembleia nesta terça-feira, 27, os funcionários da montadora decidiram pela paralisação do turno em protesto contra os recentes movimentos da empresa.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a paralisação dos funcionários da área de logística de São Bernardo do Campo (SP) foi motivada porque a direção da Mercedes chamou fornecedores para fazer estudos sobre a viabilidade de terceirização que envolvem a área.

Trabalhadores dizem que Mercedes se antecipou

A entidade acusa a montadora de se antecipar a qualquer negociação e classificou a ação como “desrespeitosa”. Além disso, os trabalhadores da Mercedes também apoiaram a rejeição à proposta do Programa de Demissão Voluntária (PDV) de 10 salários apresentado pela empresa.

“Precisamos dar uma resposta para a empresa, dizer que nosso emprego não será trocado por dez salários. Só assim a Mercedes vai começar a perceber que é preciso fazer um debate sério, para pensar, de fato, o futuro desta fábrica e o futuro dos nossos empregos”, afirmou o diretor executivo do Sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva.

Montadora vai reformular operações

Na última segunda-feira, 26, Automotive Business noticiou que a Mercedes definiu um operador de logística terceirizado em São Bernardo. Essa companhia teria uma operação interna com quadro formado por 800 funcionários, os quais seriam responsáveis por executar o serviço de transporte interno, armazenamento e de abastecimento de componentes.

Além disso, outras áreas da unidade do ABC também serão terceirizadas. Desta forma, 2,2 mil trabalhadores serão demitidos e outros 1,4 mil funcionários não terão seus contratos temporários renovados a partir de dezembro de 2022.

“Esse é um grande desafio, uma questão bastante complexa, não podemos acelerar a negociação. É preciso fazer todo o mapeamento possível para tentar diminuir o impacto no setor”, defendeu o coordenador da representação do Sindicato na Mercedes, Sandro Vitoriano.

Procurada pela reportagem, a Mercedes-Benz confirmou a paralisação e informou, ainda, que as atividades “já foram retomadas normalmente sem grande impacto nas operações de caminhões e ônibus”.*texto atualizado em 28/09, às 13h12