
O presidente da entidade, Devanir Brichesi, atribuiu o desempenho ao setor automotivo, que consome 57% dos produtos fundidos no Brasil.
“O primeiro semestre foi pífio para a produção de veículos, porque os estoques estavam altos, resultando até em férias coletivas nas fabricantes de veículos pesados (caminhões e ônibus), segmento que mais consome fundidos no Brasil.”
Contudo, o executivo aponta que no segundo semestre deve haver melhora no cenário de fundidos, impulsionada pelo próprio setor automotivo, a partir do aumento da produção de caminhões, que segundo ele, estão com baixos estoques. “A produção de veículos pesados sobe por uma questão de ajuste no estoque e na medida em que se concretiza a redução dos juros nos financiamentos para os clientes via Finame PSI.”
Na contramão do mercado interno, as exportações, com 17% de participação na produção, cresceram 4,5% em volume, para 250,6 mil toneladas e 5,4% em valores, para US$ 761,6 milhões. Do total embarcado nos seis primeiros meses do ano, os Estados Unidos consumiram 58% dos fundidos brasileiros, seguidos pela Europa, com 14%.
PROJEÇÕES 2012
Além da recuperação do segmento de veículos pesados, que deve puxar a produção de fundidos, Brichesi enumerou outros fatores que influenciarão as atividades da indústria de fundição na segunda metade do ano, como o PAC Equipamentos, programa de compras de veículos e equipamentos pelo governo anunciadas no fim de junho, que determina preferência por produtos nacionais, como forma de alavancar a indústria (leia aqui).
Apesar do cenário otimista, a entidade revisou para baixo as projeções de produção de fundidos para o ano. Em sua primeira análise, apresentada em dezembro do ano passado, a Abifa esperava crescer 6% em 2012, para 3,5 milhões de toneladas. Após a passagem do primeiro semestre, as projeções apontam para uma quase estabilidade, com pequena retração de 0,9% e volume de 3,3 milhões de toneladas. A associação manteve as mesmas projeções de crescimento em cada tipo de metal para o segundo semestre, o que deve compensar a queda registrada no primeiro semestre, para chegar ao resultado previsto para o ano.
“Se empatarmos com o ano passado, nos damos por satisfeitos”, disse Brichesi ao apresentar os novos números das projeções.
PLANO DE ACELERAÇÃO EM PAUSA
O setor estima que para atender as necessidades do mercado nacional a médio prazo, a Abifa calcula que deve aumentar sua capacidade instalada em 2,7 milhões de toneladas e passar das atuais 5 milhões para 7,7 milhões de toneladas até 2017. Neste período, a entidade espera aumentar a produção para 5,7 milhões de toneladas.
Os investimentos necessários do setor para concretizar esses volumes somam US$ 4 bilhões, aponta estudo da entidade, entre 2012 e 2017. A entidade considera a demanda de fundidos pelos setores automotivo, com o aumento da demanda interna prevista para 2020 em 6,3 milhões de veículos, o setor de máquinas e equipamentos alavancados pelas obras de infraestrutura e dos eventos esportivos que o País sediará em 2014 e 2016 e os setores de mineração, petroquímica, investimentos no Pré-Sal e em transportes.
Os cálculos, entretanto, são “estimativas hipotéticas”, afirma Brichesi, avaliando que para concretizar tal cenário é necessário medidas para impulsionar a demanda interna.
“Muito se tem feito para reforçar e acelerar o consumo, mas faltam medidas pontuais para aumentar nossa competitividade e o que se tem sobre isso ainda é insuficiente”, concluiu.