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Futuro da mobilidade dependerá de novas plataformas de comunicação entre os segmentos de veículos

O futuro do veículo no cenário urbano dependerá de um novo patamar de conectividade das tecnologias para promover a comunicação inteligente entre os veículos em todos os segmentos, desde duas rodas, incluindo bicicletas, passando pelo automóvel até atingir o transporte coletivo, que deverá trabalhar em conjunto com uma infraestrutura planejada. Essa á visão partilhada pelos representantes das principais marcas alemãs de veículos que debateram as tendências da mobilidade no painel O carro tem futuro na cidade?, que teve o editor e diretor de Automotive Business, Paulo Ricardo Braga como mediador, durante o Dia da Engenharia Alemã, promovido pela VDI, Associação dos Engenheiros Brasil-Alemanha, na quinta-feira, 17, em São Paulo, em parceria com a Câmara Brasil Alemanha.
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Redação AB

18 out 2013

4 minutos de leitura

Besaliel Botelho, presidente da Robert Bosch para a América Latina, que abriu os trabalhos da mesa redonda, apontou que essa conectividade ditará os novos rumos da mobilidade e que suas novas tecnologias continuarão a ser norteadas pelas tendências que visam proteção ao meio ambiente e pleno atendimento das massas urbanas:

“Este é um problema não só do veículo, da malha rodoviária ou dos desenvolvedores de tecnologias, mas de toda a sociedade, do plano diretor das cidades. Há muito a ser feito em termos de soluções, mas se o governo não entender que deve dar prioridade a este tema, não vamos conseguir sozinhos. As soluções existem, o que falta é vontade, plano, foco e velocidade”, alertou Botelho.

Para o presidente da Mercedes-Benz, Philipp Schiemer, alguns números mostram a urgência em tratar do assunto em conjuntura com outros setores: os países em desenvolvimento puxarão o crescimento da população urbana, que deve alcançar os 9 bilhões de habitantes em 2050. Eles também vão consumir 80% mais petróleo e seus derivados do que os desenvolvidos em 2030. Ele aponta que a escassez de recursos é um dos fatores que continuará influenciando o desenvolvimento de novas tecnologias para veículos e que já se pode perceber esse movimento com o avanço dos híbridos, elétricos e células de combustível.

Em outro âmbito, o político, o executivo alerta que há cada vez mais restrição para o uso do veículo individual motorizado, por meio do aumento de taxas, impostos e a criação em demasiado de corredores exclusivos sem acompanhar a dinâmica real e as necessidades das cidades.

“Mobilidade é um direito, mas fica mais difícil o consumidor ser atraído pelo consumo do veículo, estamos vivendo um mercado penalizado. Mesmo assim, acredito que em 30 anos, o número de automóveis no mundo vai dobrar. Para o Brasil, devemos passar dos atuais 3 milhões para os 5 milhões em 2020”, projeta Schiemer, que completa: “A inovação nos impulsiona, nós criamos o carro e estamos planejando seu futuro dentro do contexto de mobilidade sustentável. Todos os novos veículos e suas novas propulsões limpas são um sinal de onde chegamos e as possibilidades para o futuro”.

O presidente da BMW do Brasil, Arturo Piñero, acredita que a indústria já está preparada para este futuro, mas que a estratégia de sustentabilidade afeta não só o produto, mas a forma de fazê-lo:

“Com o fator de recursos finitos que afeta o âmbito econômico, é preciso optar por tecnologias recicláveis, com custo menor e não contaminantes. Além disso, nós da BMW aprendemos a aplicar nas plantas uma política realmente sustentável, com atenção para uso da água, energia e descarte de materiais.”

O setor deve enfrentar também um novo patamar de relação entre o consumidor com o carro, define o vice-presidente de desenvolvimento de produto da Volkswagen do Brasil, Egon Feichter.

“No Brasil, a relação da pessoa com o carro ainda é de status, posse. Acredito que no futuro, assim como já acontece em outros países do mundo, esta relação migrará para apenas ‘uso’: quero usar apenas quando preciso. E para isso precisamos de sistemas eficientes de conexão que interliguem transporte público, carros de aluguel, pontos para bicicletas, trens de superfície, metrôs… O desafio será a comunicação desse sistema.”

O CFO da Audi Brasil, Miguel Garcia, apresentou um programa da companhia que instiga engenheiros e arquitetos a repensar a estrutura urbana de grandes cidades e a apresentar uma nova proposta de mobilidade para esses locais.

“O projeto une infraestrutura com um apelo social e como a mobilidade pode contribuir para a qualidade de vida das pessoas”. O projeto, que abrangeu diversas megalópoles do mundo, incluindo São Paulo, pode ser visto no link Audi Urban Future Initiative.

Veja entrevista exclusiva de Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz no Brasil, Arturo Piñeiro, presidente da BMW do Brasil e Miguel Garcia, CFO da Audi Brasil, que avaliaram a parceria entre Brasil e Alemanha na área de engenharia automotiva: