
O executivo está empenhado em reequilibrar as relações com os fornecedores e adverte que já gargalos no setor, em função de um desalinhamento no supply chain. Como fornecedores programaram férias e fizeram cortes de produção sem coordenação, escasseiam ou até faltam alguns itens para montagem de componentes ou veículos. Por outro lado, há empresas de autopeças que ficaram superestocadas diante da parada brusca das linhas de montagem logo depois dos sinais da crise, a partir de outubro.
Galeote entende que montadoras e fornecedores de autopeças trabalham com margens de lucro pequenas e dependem de altos volumes e eficiência nos investimentos. Assim é preciso evitar erros a todo custo. Ele reconhece que em 2008, na época das vacas gordas, o setor acelerou demais as linhas de montagem e acumulou uma série de ineficiências. “O ritmo acelerado leva a desperdícios e até dificuldades na manutenção” – explica. Neste momento, quando há um empenho generalizado para cortar custos e ajustar a cadeia, os problemas tornam-se evidentes.
O diretor de compras informa que os investimentos relacionados ao desenvolvimento de produto são uma exceção na busca de economias que mobiliza todos os setores da Ford. Enquanto até mesmo viagens estão proibidas, a engenharia trabalha duro para levar adiante os programas de lançamento.
“Crises são passageiras. No final da década passada, durante um período difícil para a indústria automobilística, caímos na armadilha de congelar projetos na área de produtos. Aprendemos a lição e queremos estar prontos para um bom posicionamento de mercado na retomada plena das vendas” – afirmou Galeote.
Embora Galeote não confirme, o mercado sabe que engenheiros e técnicos da Ford estão motivados com o desenvolvimento de seus novos produtos, que vão desde a nova família de motores Sigma até o lançamento do Ka de quatro portas, do novo Fiesta e dos avanços com o Focus. A empresa trabalha também na evolução do EcoSport.
O executivo admite que houve uma retração preventiva exagerada em algumas empresas ao primeiro sinal de crise, provocando efeitos negativos em cadeia. Demonstrando preocupação em preservar empregos e equipes profissionais detentoras de conhecimentos avançados em engenharia e tecnologia, ele enfatiza a importância de evitar demissões. “Deve ser o último recurso. Custa caro e muito tempo às empresas e ao País treinar e afinar as equipes” – garante.