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Gandini agora é fabricante de veículos

Paulo Braga, AB
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Redação AB

13 ago 2010

5 minutos de leitura

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A Kia Motors mostra que o Mercosul automotivo pode efetivamente funcionar. Utilizando a infraestrutura da Nordex, em Montevidéu, a empresa passa a montar o comercial leve Bongo K2500 a partir de setembro. A importação de componentes em regime CKD a partir da Coréia será inicialmente a alma do negócio, viabilizando o início das operações. Mas há uma boa dose de serviços a cargo da montadora uruguaia, como soldar os estampados importados, pintar e fazer a montagem e acabamento dos veículos.

João Pessoa é o executivo brasileiro encarregado de coordenar o programa desenvolvido pelo grupo Gandini, de Itu, SP, por meio da Kia Motors Uruguay. Experiente, ele trabalha há quase dois anos para arquitetar os detalhes do projeto industrial e do produto. No momento, conta com o suporte de quase duas dezenas de técnicos coreanos empenhados em fazer os ajustes finais da linha de montagem. A linha de solda é semiautomatizada e a pintura, juntamente com a montagem e acabamento, ganhou uma área nova e bem cuidada.

A Nordex não chega a impressionar quem conhece as fábricas brasileiras. As instalações sao acanhadas, mas servem ao propósito do grupo uruguaio que há anos vem se dedicando a atender a montagem de veículos em volumes limitados. Atualmente estão entre os clientes a Kia, a Renault Trucks e uma linha de caminhões da chinesa Dong Feng. Já passaram pelas linhas, no passado, veículos da Peugeot e Citroën. Os caminhões da Renault são produzidos à razão de mil unidades para atender ao mercado argentino e 90 unidades destinadas ao modesto mercado uruguaio, que absorve um total de 33 mil veículos por ano, incluindo os comerciais.

“Nossa estrutura em Montevidéu representa uma ótima alternativa para fabricantes que pretendem oferecer veículos em pequena escala no Mercosul”, enfatiza Federico de Posadas, diretor executivo da Nordex S.A., que acompanha de perto o desenvolvimento da Kia Motors. Ele admite que tem sido procurado por diversas marcas interessadas em penetrar na região, especialmente chinesas. Sem muita dificuldade, a Nordex pode efetuar a montagem de até 36 mil unidades por ano.


Bongo

José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil, pretende fixar para o Bongo uruguaio o mesmo preço do atual, importado da Coréia do Sul. “Apesar da tarifa zero de importação a partir do Uruguai, há investimentos importantes e custos logísticos a serem compensados”, explicou a Automotive Business.

Com a operação uruguaia Gandini entra para o grupo das empresas fabricantes de veículos no Mercosul. O sonho de ter uma fábrica no Brasil parece afastado por um bom tempo, depois de várias tentativas para viabilizar o investimento. Nem mesmo a alternativa de fazer a montagem por meio da Automotiva Usiminas deu certo, atropelada pelo câmbio. “Por enquanto, nem pensar em fábrica no Brasil”, arremata.

A montagem do Bongo se limitará ao modelo K2500 pelos próximos meses. Há outros sete modelos, cujo suprimento ao Mercosul será feito por importação direta. A estrutura inicial de produção recebeu US$ 25 milhões do caixa da Gandini para garantir uma capacidade nominal de 12 mil unidades por ano em dois turnos de trabalho. O ritmo deve se acelerar até chegar à capacidade máxima, mas a Kia tem pressa depois de ser premiada com um aperto na legislação que regula a movimentção de caminhões em grandes centros como São Paulo.

O Bongo é um comercial leve, cuja capacidade de carga somada ao peso da carroceria acoplada (caçamba ou baú) não deve ultrapassar 1.812 quilos. Com essa característica e 4,8 metros de comprimento, ele tem sinal verde para frequentar a região central da capital paulista, ganhando um potencial de mercado expressivo.


Programa

João Pessoa tem a missão de cumprir as regras do programa de intercâmbio de veículos no Mercosul para assegurar a exportacão a partir do Uruguai sem pagamento de tarifas de importacão no Brasil, que deve absorver 95% da produção do Bongo. Ele garante que não será fácil cumprir a tarefa imediatamente, mas tem prazo de três anos para atender ao conteúdo local do Mercosul de 60%. Além do valor agregado ao comercial leve com as operações de solda, pintura e montagem, ele conta com a compra de componentes brasileiros e argentinos para ter sucesso.

“Optamos pelo nível mais exigente do regime. Se ficássemos nos 50% de nacionalização em prazo de cinco anos, teríamos uma limitação de 2,5 mil veículos exportáveis para o Brasil com tarifa de importação zero” – explicou Pessoa.

A lista de suprimento a partir do Brasil deve ganhar corpo. A Goodyear fornecerá pneus, a Fumagalli rodas de aço, a Bovenau macacos hidráulicos, a Moura baterias, a Fanavid vidros, a PST rastreadores. Os chassis, motores de arranque da Valeo e filtros de particulados da Faurecia e Basf estao sendo negociados. Da Argentina chegarão carpetes (Trevis), bancos (Somil), produtos de pintura (Basf e DuPont), lubrificantes da Elf e Total e forros para o teto.

Os motores do Bongo ainda são da classe Euro 3. No início de 2012 devem saltar para Euro 5, exigência para atender a legislação brasileira de emissões, regulada pelo Conama.