logo

Balanço

Ganhos da GM se concentram nos Estados Unidos

O balanço financeiro da General Motors mostra que em 2016 os ganhos ficaram concentrados dentro do país sede, os Estados Unidos, onde a empresa bateu recordes de vendas. Entre as operações internacionais, a companhia continua lucrando na Ásia, mais especificamente na China, em proporção 10 vezes menor do que na América do Norte, mas segue perdendo dinheiro na América do Sul e Europa, ainda que tenha conseguido reduzir os prejuízos nessas duas regiões à metade do que foi registrado em 2015.
Author image

Redação AB

07 fev 2017

4 minutos de leitura

G_noticia_25286.jpg

Apesar da pequena alta de 1,2% nas vendas de veículos no mundo todo, somando o recorde 10 milhões de unidades comercializadas em 2016, houve bom crescimento de 9,2% no faturamento global, que somou US$ 166,4 bilhões, mas o ganho financeiro da GM teve leve recuo. O lucro líquido de US$ 9,4 bilhões foi 2,7% menor do que o apurado em 2015. O resultado foi particularmente afetado pelo avanço de despesas não relacionadas à operação principal da empresa (fabricar e vender veículos), como pagamento de juros (US$ 572 milhões), impostos (US$ 2,4 bilhões) e US$ 300 milhões ainda devidos pelo recall provocado pela falha na chave de ignição de carros antigos vendidos nos EUA. Por isso o Ebit (lucro antes de juros e impostos) anotou robusta expansão de quase 16% no ano passado sobre o anterior, somando US$ 12,5 bilhões.

REGIÕES

Quase todo o Ebit de 2016 foi consolidado na América do Norte (EUA, Canadá e México), onde a GM faturou US$ 119 bilhões (mais de 70% da receita global) e apurou ganho operacional antes de impostos e juros de US$ 12 bilhões, 9% ou US$ 1 bilhão maior do que um ano antes. O bom resultado pode ser explicado pelas vendas de veículos de maior valor agregado, já que o total de 3,6 milhões de unidades vendidas nos três países significaram inexpressiva alta de apenas 0,5% sobre 2015 – e nos EUA, que respondeu por 84% das compras com 3 milhões de unidades, houve pequeno recuo de 1,3% nos negócios. Na região como um todo foram comercializados 36% de todos os carros produzidos pela GM no ano.

A divisão de operações internacionais (GMIO), que inclui Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África, respondeu pela maior parte dos veículos vendidos pela GM no mundo (46%, ou 4,59 milhões de unidades, em alta de 1,3%), graças ao expressivo consumo da China, mas o desempenho financeiro é fraco. O lucro operacional (Ebit) obtido nessas regiões foi de US$ 1,1 bilhão, em expressiva queda de 21,4% sobre 2015.

O pior resultado, tanto financeiro como em volumes, foi registrado pela GMSA, que cobre toda a América do Sul. A companhia comercializou 584 mil veículos na região, o que representou queda de 9,5% sobre 2015, com Brasil encabeçando 59% das vendas e influenciando mais negativamente o desempenho. Nem mesmo a liderança no mercado brasileiro salvou o ano na região, onde o Ebit apurado resultou em prejuízo de US$ 400 milhões. Mesmo assim as perdas foram US$ 200 milhões menores do que em 2015, graças a cortes de custos, segundo a GM.

A GM Europa também seguiu no vermelho em 2016, registrando prejuízo operacional de US$ 300 milhões, ou US$ 500 milhões menor do que em 2015. A companhia atribui o resultado negativo ao Brexit – a votação que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia –, que pelos cálculos da GM já custou algo como US$ 300 milhões e impediu a divisão de chegar ao equilíbrio financeiro na região, como estava previsto. Os mercados europeus compraram 1,2 milhão de veículos produzidos pela GM – principalmente das marcas Opel e Vauxhall –, em alta de 2,6% sobre o ano anterior.

PROJEÇÕES PARA 2017

Para 2017 a GM espera manter ou até melhorar o lucro operacional obtido em 2016. Até 2020 a companhia deverá renovar 38% de sua linha de produtos, contra 26% no período 2011-2016, com lançamento de veículos completamente novos ou renovações, com foco principalmente em picapes, SUVs e crossovers, que deverão representar a maioria das novidades.

Para o período 2015-2018, a GM elevou em US$ 1 bilhão sua meta de aumento de cortes de custos, para US$ 6,5 bilhões.