
Os britânicos Lewis Hamilton e George Russell têm um brilho distinto no olhar quando estão no Brasil. Não à toa. O primeiro é cidadão honorário do país. O segundo, por sua vez, conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1 em 2022 logo no templo do automobilismo nacional: o autódromo José Carlos Pace, que também atende pela alcunha de autódromo de Interlagos.
Os dois pilotos da Mercedes estão em território brasileiro justamente para a disputa do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1 desta temporada. E, embora o time não esteja atualmente no nível daquela equipe que, não faz muito tempo, conquistou oito títulos de construtores consecutivos, Hamilton e Russell têm motivos de sobra para estarem empolgados para a corrida e soltos para comentar acerca de assuntos distintos.
Isso mesmo em uma coletiva engessada conduzida pela Petronas, parceira da fabricante alemã na categoria máxima do esporte.
Tanto é que o usualmente comedido Russell tratou de elogiar o trabalho na seara da diversidade e inclusão que vem sendo feito pelo companheiro de equipe. Tal, porém, sem deixar de ser incisivo e de salientar que ainda há muito a ser feito para que o automobilismo seja uma modalidade mais plural.
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“A Fórmula um, o automobilismo como um todo, no caso, sempre foi visto como um espaço dominado por homens brancos”, disparou Russell. “Lewis [Hamilton] é, obviamente um catalisador, e tenta mudar essa imagem de forma a fomentar maior diversidade no esporte”, completou.
Justamente por isso, o britânico crê que a F1 Academy, categoria de apoio à F1 composta por um grid feminino, é de extrema importância.
“Acredito que a jornada da F1 Academy será fundamental, especialmente sob o comando de Susie [Wolff]”, disse Russell. Wolff é a diretora administrativa da categoria, que teve sua temporada inaugural encerrada em outubro passado. A campeã foi a espanhola Marta García, da equipe Prema.
“Além disso, precisamos ver mais meninas iniciando suas carreiras no kart, recebendo oportunidades sem que se sintam excluídas, num esporte para homens”, enfatizou o piloto da Mercedes. “Elas têm de estar confortáveis para competir desde a juventude. Creio que isso ainda levará algum tempo”, frisou.
Todavia, para George Russell, posições de liderança em cargos técnicos também têm de ter maior presença feminina, bem como de outros grupos, a fim de tornar a categoria mais diversa.
“Estamos vendo mais mulheres entrando na seara da engenharia, no design e acho que este é um ótimo momento, porque há muito talento e conhecimento no mercado”, ressaltou.
Lewis Hamilton, heptacampeão mundial de Fórmula 1, endossou o discurso do companheiro de equipe.
“Tanto em nosso time quanto em outras equipes, temos mulheres em cargos importantes. No entanto, é preciso fazer mais, fomentar a presença feminina em cargos de liderança não somente na categoria ou no esporte, mas também em outras áreas da sociedade”, complementou o cidadão honorário brasileiro, que busca em Interlagos sua primeira vitória desde o Grande Prêmio da Arábia Saudita de 2021.
