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Geração Y – Olhando por outro ângulo

Uma das perguntas mais comuns que recebo de meus clientes é como lidar com a geração Y. As palavras que mais ouço são: conflito de gerações, diferença de valores, percepções distintas. Gostaria de convidar o leitor a olhar esse assunto sobre um ângulo distinto. Primeiro quero definir um pouco melhor o assunto. Não há consenso entre os estudiosos sobre o período de tempo abrangido por cada geração e por isso existem variações nos artigos e livros que pesquisei. Abaixo as definições mais comuns:
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Redação AB

04 abr 2011

4 minutos de leitura

Baby Boomers – 1946 até 1960
X – 1960 até 1980
Y – 1981 até 2000
Z – 1990 até 2009
Alpha – Nascidos a partir de 2010

O que mais encontramos nos ambientes corporativos é o solapamento entre indivíduos da geração Baby Boomers, X e Y.

O primeiro passo dessa situação é aceitá-la como parte do processo evolutivo da vida e da corporação. Desde sempre as gerações mais recentes se encarregam de transformar a maneira de como percebemos e transitamos no planeta. O que mudou é a velocidade da produção e veiculação do conhecimento. Graças a todo arsenal tecnológico, dobramos o capital intelectual da humanidade em períodos cada vez menores.

Toda essa informação é de fácil acesso via internet. Lembro-me que na minha época de escola, as pesquisas para os trabalhos dependiam de visitas a bibliotecas, pesquisa em coleções de conhecimentos gerais como Conhecer, que saiam em fascículos semanais e depois eram encadernados, Enciclopédia Britânica ou Larousse, que tinham um ciclo de vida de mais ou menos 10 anos e publicavam livros anuais com as novidades do período. Hoje, ambas podem ser acessadas pela internet por um preço bem razoável. Em minutos, consegue-se detalhes na rede sobre qualquer assunto, sempre tomando o cuidado de verificar se o site visitado tem credibilidade.

No entanto, é preciso cautela ao dizer que sabemos algo. Não podemos confundir informação com sabedoria. Uma coisa é tomar conhecimento de algo, outra é transformar este conhecimento em realidade. A vivência neste caso é fundamental.

No ambiente coorporativo, o solapamento das gerações torna-se saudável, na medida em que os produtos e serviços atendem um grupo de clientes também heterogêneo.

O que mais me chama atenção é que muitos encaram isso com um olhar negativo. Ao analisar esta situação, opto por observar este contexto de forma integralista, isto é, combinar as qualidades dos diversos grupos, somar a vitalidade do novo com a sabedoria de quem já passou por isso e fez acontecer. Permitir a troca de experiências, a contestação do status quo, a criação de processos em que a linguagem possa ser sempre trabalhada e expandida.

Para que esse clima exista nas organizações será preciso identificar áreas afins entre as gerações. Os mais velhos, por serem mais experientes e maduros, terão que lidar com mais tranquilidade com os jovens que são mais afoitos, mais propícios a tecerem julgamento de valor, por falta de experiência de vida. Será preciso dialogar muito, mantendo os canais de comunicação abertos.

Quem tem filhos adolescentes sabe exatamente do que estou falando. Por terem vivido poucas experiências tecem julgamento rapidamente, baseados em seu capital intelectual e suas vivências.

Quem é mais velho sabe mais porque fez mais, errou mais e, por isso aceita melhor a diversidade de questionamentos, de processos, de soluções. Vai ser preciso trocar de posição, sair da zona de conforto, dialogar. Sugiro que os líderes das gerações mais antigas tomem a iniciativa e comecem a compartilhar suas estórias com os mais jovens.

Mostrem-se mais como seres humanos, expliquem suas decisões, contem os porquês, aceitem os questionamentos. Debatam em grupo, escutem o que for dito sem julgamento. Quanto mais intenso for o processo de troca, melhor. E, por fim, entendam que este novo é realmente novo. Tenham o suficiente de humildade para aceitar que não são donos da verdade, mesmo sendo muito experientes.

Novas maneiras de fazer negócio surgirão, bem como novos desenhos organizacionais para dar suporte à nova realidade. É um exercício de amplitude de consciência, de mudança de modelo mental.

O ideal é que uma geração abrace a outra e, juntas, expandam a visão do todo. Ajudando-se com o que tiverem de melhor. Valorizando a cultura virtuosa que irão criar, vivenciar e aperfeiçoar.

Quando olho para minha carreira, o entorno intelectual, pessoal e tecnológico de quando iniciei e o comparo com o de hoje, não sinto saudades.

O passado me trouxe aqui, e tenho muita gratidão pelas pessoas que convivi e que me fizeram ser quem sou, com minhas qualidades e defeitos. Mas o desafio de melhorar o modelo continuamente é, sem dúvida nenhuma, a parte mais divertida de todas.

Gosto muito da nova geração, das preocupações que ela tem, do modelo mais globalizado, da tecnologia. Recuso-me a simplesmente ser rotulado de X. Quero ser a soma do que passou, do que é, e do que virá.

Mais que o conhecimento específico de cada geração, que sempre pode ser ampliado, faz-se necessário a postura de aprendizagem que nunca poderá ser abandonada por quem pretende evoluir.

Mudaremos todos: de objetivos, de trabalho, de opinião. Aprender mais e sempre é o combustível dos que buscam a plenitude.