
Maurício Muramoto, diretor da Deloitte, enfatizou que a nova geração de consumidores está muito mais interessada em compartilhar do que em ter certos produtos. “A propriedade já não é mais tão importante”, avalia. O especialista citou como exemplo desse novo perfil sites como Couchsurfing, em que pessoas buscam hospedagem na casa de outras em várias cidades do mundo, sem a obrigação de fazer qualquer pagamento por isso. “É uma forma diferente de pensar, conhecer pessoas e fazer contatos.”
Ao mesmo tempo em que busca atender a geração Y, a indústria terá de administrar outras transformações. Entre elas Muramoto cita o crescimento dos marcos regulatórios, principalmente dos voltados à melhoria da eficiência energética. Além disso há questões como a globalização, com destaque para o crescimento dos mercados emergentes, e ainda o que o especialista chama de “hiperurbanização”, que vai exigir ações inovadoras principalmente na área de transportes.
O diretor da Deloitte acredita que se intensificará o aproveitamento dos vários meios de transporte nas grandes cidades, com o uso de sistemas de compartilhamento de carros, bicicletas, ônibus e metrô. “É o transporte social, que leva em conta tempo, custo e qualidade de vida.”
O vice-presidente de vendas da T-Systems para o setor automotivo, Camilo Rubim, concorda que o cenário é de transformação. Segundo ele, o mercado global passou por uma série de momentos importantes: a era da manufatura, a da distribuição e a da informação. Agora, desde 2010, o mundo vive o que ele chama de era do cliente. O momento permite a interação do cliente com a empresa, mais transparência nas relações, produtos customizados e que se comunicam com o consumidor. Como exemplo disso o executivo cita a Nike, que interage com os clientes por meio de aplicativo e rede social voltada aos esportes.
“O mundo digital é a revolução do consumidor”, explica. Rubim cita dados que mostram o papel cada vez mais importante da internet nas relações comerciais. Segundo ele, hoje mais de 60% das pessoas comparam preços por meio do smartphone antes de comprar um produto. Parcela de 60% dos clientes compra online e, no Brasil, 45% dos consumidores se declararam inclinados a comprar o próximo carro na internet.
Rubim aponta que o público jovem busca simplicidade e velocidade, características que hoje a indústria automotiva ainda não oferece com tanta frequência. “Coca-Cola e McDonalds sempre estiveram entre as marcas mais valiosas do mundo. Hoje as primeiras posições do ranking estão com Apple e Google. A indústria automotiva só aparece a partir da décima posição, ocupada pela Toyota.”
