
A geração Z, de pessoas nascidas entre 1995 e os anos 2010, é grande defensora da mobilidade sustentável. Ainda assim, esse desejo ainda não aparece nas ações desse grupo, que mantém hábitos de transporte similares aos de pessoas mais maduras. A conclusão é de pesquisa promovida pela YouGov a pedido da Stellantis, apresentada na quarta-feira, 3, no Freedom of Mobility Forum promovido pela montadora.
“Apenas 10% dos jovens declararam já ter feito mudanças radicais na forma de se deslocar em busca de mais sustentabilidade”, contou Alexandre Devineau, gerente geral da empresa de pesquisa. O levantamento foi feito com mais de 5 mil pessoas no Brasil, França, Índia, Marrocos e Estados Unidos.
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O objetivo foi captar dados para avaliar possibilidades para que o planeta acomode as necessidades de mobilidade da população atual de 8 milhões de pessoas – que deve chegar a 9,7 bilhões até 2050. Enquanto a geração Z mostrou o maior entusiasmo para fazer a transição para o transporte sustentável, as pessoas mais velhas e moradoras de áreas rurais indicaram mais resistência. “Um em cada 4 cidadãos não tem planos de mudar seus hábitos, principalmente nesse grupo”, apontou Devineau.
Ele aponta que, nos países emergentes, a população está mais inclinada à mudança. No Brasil, por exemplo, 75% dos respondentes se mostraram dispostos a abrir mão de meios de transporte individuais e de condução própria.
Carro elétrico não é resposta imediata para a mobilidade
Carlos Tavares, CEO da Stellantis, apontou durante a discussão que os carros elétricos terão papel relevante na mobilidade do futuro, mas enfrentam desafios importantes para ganhar escala imediatamente. Um deles é a densidade energética das baterias. O componente ainda demanda muita matéria-prima e, portanto, tem grande impacto ambiental.
“Isso vai melhorar nos próximos anos, daremos um salto, mas hoje não faz sentido escalar tanto a exploração de insumos”, declarou durante o debate no fórum promovido pela Stellantis.
Ele reforçou ainda a questão da recarga, que ainda tem muito a evoluir para garantir aos usuários de veículos elétricos a mesma conveniência que eles encontrariam se fossem abastecer um carro a combustão. Segundo ele, é preciso equipar garagens e estacionamentos com equipamentos para carregar as baterias, assim as pessoas fazem a recarga enquanto estão no trabalho, na universidade ou na academia – sem precisar esperar tempo extra.
