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Ghosn dobra ganhos para US$ 7,8 milhões anuais

O franco-brasileiro Carlos Ghosn, CEO mundial da Renault, teve seus ganhos anuais reajustados para US$ 7,8 milhões, referentes a 2014. O valor é mais que o dobro do registrado em 2013, de US$ 2,9 milhões. Dentro deste valor está incluso o salário base anual (este inalterado) de US$ 1,33 milhão mais bônus e remunerações de ações. O pacote foi aprovado pelo conselho de administração.
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Redação AB

27 mar 2015

2 minutos de leitura

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Segundo o Financial Times, apenas cinco dos 19 membros do conselho administrativo da Renault votaram contra o aumento dos ganhos de Carlos Ghosn, incluindo o representante do governo. O Estado francês detém 15% das ações da companhia. O tema deve entrar em pauta novamente na próxima reunião dos acionistas, em 30 de abril, quando decidirão sobre a aprovação final do pacote.

Segundo o relatório anual da Renault, os ganhos totais de Ghosn são compostos, além do salário base, por US$ 1,48 milhão de ações variáveis, US$ 493,8 mil em pagamentos variáveis. O presidente também tem direito a 100 mil ações, que valem US$ 44,64 cada, resultando em um montante de US$ 4,46 milhões. Porém, de acordo com o jornal francês Les Echos, este valor está congelado e não poderá ser tocado até 2018.

A francesa está cortando 7,5 mil postos de trabalho até 2016 para reduzir os custos fixos em US$ 431,2 milhões, alegando serem medidas necessárias para impulsionar os lucros. De acordo com a empresa, tudo foi acordado com os sindicatos em 2013, o que também inclui congelamento de salários. Já o maior sindicato de funcionários, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), criticou duramente o aumento salarial do mandachuva da companhia. “Ghosn tira a sorte grande e nós ficamos com as migalhas”, afirmou a CGT em comunicado.

A montadora afirma que o aumento no salário final do CEO está diretamente relacionado à melhoria do desempenho da fabricante em 2014. No relatório anual de 2014 consta aumento de três vezes no lucro anual, indo a US$ 2,0 bilhões, consequência das fortes vendas e do acordo laboral feito em 2013 com sindicatos.

Em 2013 Carlos Ghosn negou o pagamento de bônus, após a fabricante admitir ter se enganado ao acusar injustamente gerentes sêniores de espionagem industrial.

Ghosn, que também é CEO da Nissan na Aliança Renault-Nissan, tira anualmente o total de US$ 16,1 milhões, somando a remuneração das duas companhias (US$ 8,34 milhões só da Nissan).