
“Precisamos lidar com fatos. Planejamos o pior e esperamos pelo melhor”, afirma Ghosn. “Estamos preparados para outro ano difícil, mas também estamos em momento de ofensiva da Nissan, nosso compromisso com o Brasil segue elevado com o lançamento de novos produtos e aumento de exposição com o patrocínio das Olimpíadas do Rio este ano. Assim a marca está ficando mais visível e ganhando mercado. Temos de limitar nossos prejuízos neste momento, mas precisamos estar prontos para a volta do crescimento.”
Para o executivo, continua inabalada a “fé no potencial do mercado brasileiro”, mas o crescimento vai demorar mais do que se esperava. Para compensar o recuo no Brasil, a Nissan montou estratégia para transformar a fábrica brasileira em base de exportação para toda a América Latina, em complemento à unidade do México. As exportações já começam este ano com os carros já produzidos em Resende, March e Versa, e depois o Kicks também entra no portfólio de vendas externas.
Para o mercado brasileiro, a ideia é continuar ganhando participação para que as quedas nas vendas sejam sempre menores do que a média do mercado, como já aconteceu em 2015, ano em que a Nissan registrou retração de cerca de 17% sobre 2014 com 60 mil unidades emplacadas, mas o market share subiu de 2,1% para 2,5% no período, com apenas dois produtos nacionais.
A projeção é que o lançamento em 2016 das novas versões com câmbio automático de March e Versa, além da chegada do Kicks, ajude a Nissan a manter suas vendas no Brasil estáveis ou com queda menor que a do mercado, enquanto a capacidade ociosa de Resende é preenchida com o aumento de exportações. Com isso, a estimativa é que não seja necessário fazer demissões. Muito pelo contrário, a produção do Kicks dará início ao segundo turno com a contratação de mais 600 empregados para se juntar aos 1,5 mil que já trabalham na fábrica.