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Ghosn só espera crescimento em 2016

Após dois anos de retração do mercado brasileiro que classificou como “decepcionantes”, Carlos Ghosn, CEO da Aliança Renault-Nissan, desta vez só espera a volta do crescimento em 2016. “Para 2015 o melhor que podemos esperar é a estabilidade em relação a 2014. O mais provável é nova queda, o problema é saber quanto, vai depender de medidas econômicas do governo e dos incentivos que o consumidor receberá”, avaliou o executivo na terça-feira, 6, na sede da Nissan brasileira no Rio de Janeiro, onde costuma estar a cada passagem de ano.
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pedro

06 jan 2015

4 minutos de leitura

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Ghosn voltou a afirmar, como fez há exatamente um ano, que “não há nenhuma dúvida quanto ao potencial de crescimento do mercado automobilístico brasileiro”, voltando a citar o ainda baixo índice de motorização do Brasil, de 175 veículos por mil habitantes, número abaixo de países correlatos, como Rússia com 300 por mil e Portugal com 500. “O Brasil teve grande evolução nos últimos 10 anos e tornou-se um dos maiores mercados do mundo. Não havia razão previsível para o declínio de 7% (em 2014) com a economia estável. Mas temos certeza que o crescimento voltará e esse potencial vai aparecer, só resta saber quando”, analisa.

METAS E INVESTIMENTOS MANTIDOS

Mesmo no cenário negativo de curto prazo, Ghosn destacou que a Nissan não atrasou em nada seu programa de investimento no Brasil, de R$ 2,6 bilhões entre 2012 e 2016, que incluiu a construção da fábrica de carros e motores em Resende (RJ), com capacidade para 200 mil unidades/ano, e a fabricação de modelos nacionais – o primeiro deles foi o New March, em produção desde abril passado, o segundo será o sedã New Versa, que começa agora a ser fabricado na planta fluminense para ser lançado até o fim do primeiro trimestre. Também no início deste ano entra em produção um novo motor 1.0 de três cilindros, que primeiro vai equipar o Versa e depois o March (leia aqui). O plano contempla ainda o lançamento de mais modelos a serem produzidos no País.

Com o início da produção do Versa em Resende, os 279 empregados que estavam desde setembro em layoff, com os contratos de trabalho suspensos, já foram reintegrados à fábrica em dezembro, antes do período legal de até cinco meses de suspensão. E 25 novos trabalhadores foram contratados para iniciar a fabricação do novo motor 1.0. Ao todo a unidade opera atualmente com 1,8 mil pessoas em apenas um turno.

A meta de crescimento no Brasil também está mantida. A Nissan fechou 2014 com participação de 2,2% e 72,4 mil veículos vendidos no País de janeiro a dezembro (em queda de 6,9% e em linha com a média do mercado no período). O objetivo é chegar a 3% até o fim do ano fiscal japonês, em março de 2016, e saltar para 5% no exercício seguinte. “Mas queremos ir além. Aqui estamos abaixo da nossa média mundial de market share, que é de 6,5% e também no Brasil deveremos superar isso, para sermos a marca japonesa mais vendida do mercado”, destacou Ghosn em claro desafio à Honda e Toyota, que hoje têm 4,7% e 6,5%, respectivamente. “É um objetivo para além de 2018”, disse.

“Nosso plano é estar entre as três marcas de veículos mais vendidas na América Latina e o Brasil é peça-chave dessa estratégia”, reforçou José Luis Valls, presidente da Nissan na região. “Estamos tomando medidas ousadas nessa direção. Já produzimos 20 mil March em Resende e acumulamos sete meses consecutivos de crescimento de nossas vendas no mercado brasileiro”, acrescenta. Nos primeiros dias de janeiro a participação da Nissan, ainda sem o lançamento do New Versa, já encosta nos 3%.

Para manter o ritmo de crescimento, a Nissan continua a investir na fabricação de novos modelos. “Vamos ter mais carros nacionais, isso é certo. Não podemos parar só em dois”, promete Ghosn. Ele também destaca que a desvalorização do real diante do dólar torna “imperativo” dar maior velocidade ao aumento da nacionalização de componentes, que começou em torno de 60%. A meta de chegar a 80% até o fim de 2016 foi antecipada para este ano, com a integração total do departamento de compras da Nissan e Renault.