De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Francisco Nunes, a entidade foi informada pela montadora sobre a licença remunerada durante reunião de negociação realizada na segunda-feira, 4: “Infelizmente fomos pegos de surpresa com essa notícia. Amanhã (quarta-feira, 6) teremos uma nova reunião para tentar reverter esse quadro e discutir a questão do emprego e alternativas para evitar demissões. A GM justifica que as vendas caíram 17%, antes eram produzidos 55 carros por hora e agora serão 38”, disse.
“Estamos tomando as decisões conforme a evolução do mercado. Por enquanto acreditamos que é o suficiente, mas as coisas podem mudar. Também consideramos dar férias coletivas se for necessário”, afirmou Jaime Ardila, presidente da GM South America. Segundo ele, é necessário baixar os estoques da empresa, que já atingem de 45 a 50 dias de vendas. “Não é um nível saudável, precisamos reduzir”, disse o executivo a um grupo de jornalistas na segunda-feira, 4, durante evento de comemoração da produção de 500 milhões de veículos pela GM em todo o mundo desde a fundação da companhia em 1908. Ardila avalia que o desempenho deve melhorar no segundo semestre (leia aqui), por isso a intenção é preservar a mão de obra qualificada. “Não vamos desligar quem vamos precisar”, observa.
Com a licença para 467, sobe para 1.286 o número de empregados afastados na unidade de São Caetano do Sul: outros 819 estão em regime de layoff desde 19 de janeiro, cujo prazo terminaria em 9 de abril, mas foi estendido até 9 de junho pela empresa. A GM também mantém em layoff 473 metalúrgicos na planta de São José dos Campos (SP), onde são feitos S10 e Trailblazer, além de motores, transmissões e outros componentes. Somente em Gravataí (RS), que monta Onix, Prisma e Celta, os níveis de produção em dois turnos continuam inalterados, graças ao desempenho de vendas acima da média dos modelos feitos lá.
Diferente do layoff, quando a empresa paga uma parte do salário e o governo federal, por meio do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) paga o restante, a licença remunerada é arcada pela própria montadora. Além disso, ocorre por tempo indeterminado, enquanto o layoff tem prazo máximo de cinco meses.
A GM também abriu dois programas de demissão voluntária (PDV) entre os meses de fevereiro e março (leia aqui e aqui). O PDV aberto exclusivamente para as áreas administrativas da empresa teve a adesão de cerca de 300 funcionários, segundo a GM.