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Com Bolt EUV, GM aposta em preço para fidelizar clientes de carros elétricos no Brasil

O que fazer quando você tem em mãos um produto fadado a sair de linha prestes a ser lançado? No caso do Chevrolet Bolt EUV, que chega às revendas da marca ainda este mês, a GM preparou a mesa tática de forma a encaixar o veículo em sua estratégia de eletrificação no Brasil.
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Marcus Celestino

09 mai 2023

6 minutos de leitura

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Chevrolet Bolt EUV: SUV elétrico chega com preço e condições para tentar atrair o cliente da GM para o universo zero combustão

O modelo será comercializado por aqui a partir de R$ 279.990, limitado a 200 unidades. O preço, agressivo, chega a ser mais em conta que o do Bolt EV — vendido na casa dos R$ 320 mil. Bom destacar: no acumulado do ano passado, o hatch teve, segundo a Fenabrave, apenas 10 unidades licenciadas.

Vale ressaltar que Bolt EUV e seu par deixarão de ser fabricados para dar espaço aos novos veículos puramente elétricos da GM. Estes serão feitos sobre a moderna plataforma Ultium — mesma do Hummer.

No Brasil, os primeiros modelos dotados da arquitetura serão Blazer EV e Equinox EV, com lançamento, agora, previsto para 2024. Segundo Santiago Chamorro, presidente da GM América do Sul, os utilitários 100% elétricos chegam ao país em meados do próximo ano.

Bolt EUV no Brasil terá financiamento balão

E aí, talvez você se questione quanto ao motivo de a General Motors lançar agora o Bolt EUV. Até porque trata-se de modelo que já foi dado como águas passadas pela própria CEO da companhia, Mary Barra.

A ideia, contudo, é simples: oferecer um veículo puramente elétrico “de qualidade” por “preço competitivo” com o objetivo de gerar awareness e fidelizar clientes. Esse, de acordo com Chamorro, é o plano. 


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Além disso, o presidente da GM América do Sul aponta para o agressivo plano de financiamento “balão” que a companhia preparou para o Bolt EUV. Por conseguinte, o programa também deverá atender aos elétricos vindouros da Chevrolet.

O plano, de acordo com a GM, dá maior flexibilidade ao cliente. A entrada mínima é de 30% do valor do produto e o número de parcelas intermediárias pode chegar até 48. Por fim, a empresa garante que o consumidor tem, ao final, opção de trocar o modelo adquirido por outro zero quilômetro sem ter de despender a prestação residual.

GM vira bastião da defesa dos elétricos

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Crossover é estratégico no plano de transição energética da GM para o Brasil

Durante a apresentação do Bolt EUV, Santiago Chamorro voltou a reforçar o posicionamento da GM quanto ao seu processo de transição energética. Tanto é que enumerou alguns “mitos” referentes aos veículos puramente elétricos.

“Se diz que o Brasil não deveria falar de EVs. Na nossa opinião é um mito”, afirmou o executivo. “O Brasil e a América do Sul têm importantíssima presença, por exemplo, de minérios necessários para produção de baterias para elétricos”, continuou.

O presidente da GM América do Sul reforçou ainda algo que já fala há algum tempo. “O país, segundo maior mercado da GM no mundo, tem capacidade de engenharia fortíssima e potencial para ser um exportador de veículos elétricos”.

Embora siga admitindo que a transição para os puramente elétricos irá levar algum tempo, Chamorro se mostra otimista e voltou a repetir outro mantra: “O brasileiro está muito curioso com os EVs”. Além disso, garantiu que, segundo estudos, 86% dos consumidores considerariam comprar um 100% elétrico.


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O executivo aproveitou os holofotes para voltar a alfinetar o caminho tomado pelas rivais. “Podemos falar que, em matéria ambiental, o EV do poço à roda é muito melhor que o híbrido flex”, apontou.

Para Santiago Chamorro, “a matriz energética do Brasil é das melhores do mundo, renovável, e bem melhor que a europeia e a chinesa”. Portanto, para o executivo, existem algumas alternativas interessantes para o país durante o processo de transição de tecnologias.

“Temos a possibilidade de nos tornarmos uma potência mundial do hidrogênio verde, usando a cana-de-açúcar de forma sustentável”, comentou, dentre outras aptidões. Todavia, não hesitou ao, em tom jocoso, dizer: “Se houver falta de uso para a cana-de-açúcar a gente bebe”.

Como é o Bolt EUV que desembarca no Brasil?

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Aleta atrás do volante para acionar os freios regenerativos chama a atenção enttre os itens de série do Bolt EUV no Brasil

E quanto às capacidades do Bolt EUV? Bem, o modelo que será vendido aqui tem o mesmo conjunto do hatch, com propulsor que rende 203 cv de potência e torque instantâneo de 36,7 kgfm. Segundo a fabricante, o 0 a 100 km/h é feito em 7,7 segundos.

O modelo tem aleta atrás do volante capaz de acionar os freios regenerativos, bem como a tecnologia One Pedal — que ajuda a parar o carro sem necessidade de pisar no freio. O sistema também recupera parte da carga das baterias de 66 kW.

Ainda de acordo com a montadora, o Bolt EUV tem 456 km de autonomia no ciclo WLTP. Todavia, com o fator de correção utilizado pelo Inmetro, o número cai para 377 km.

Em estações super-rápidas de corrente contínua, o modelo leva cerca de 40 minutos para recarregar mais ou menos metade da bateria, diz a GM. Já no caso de estações de recarga rápida (AC de 7,4 kWh), o modelo ganha cerca de 40 km de autonomia por hora.

Em termos de dimensões, o Bolt EUV tem entre-eixos de 2,67 metros e 4,3 m de comprimento. Além disso, o porta-malas tem capacidade para 462 litros. Altura e largura são as mesmas do hatch: 1,62 m e 1,77 m, respectivamente.

Entre os principais itens de série, o Chevrolet Bolt EUV Premier dispõe de controle de cruzeiro adaptativo, 10 airbags, assistente de estacionamento com visão 360 graus e câmeras de alta definição, assistência de permanência em faixa e alerta de ponto cego.

O crossover elétrico tem ainda alertas de movimentação traseira em marcha a ré e de colisão frontal, com detecção de pedestres e frenagem automática. Também oferece painel digital customizável de 8 polegadas, central multimídia MyLink com nova interface e tela de 10,2 polegadas, sistema Bose de áudio com subwoofer e carregador de smartphone por indução.

Para fechar, a GM diz que tem 78 concessionárias dedicadas aos serviços de manutenção de seus veículos elétricos. A ideia é ampliar tal número conforme o portfólio de EVs crescer no país.