
A GM começou a tirar proveito de sua aquisição antes mesmo de estourar o champanhe: “O primeiro carro testado aqui foi o Chevette, lançado em 1973. Ele rodava na pista de durabilidade acelerada, uma longa reta ainda de terra batida”, afirma o diretor de performance, segurança e operação do campo de provas e laboratórios, Luciano Santos.
Hoje, a estrutura desenvolve modelos não apenas para o mercado interno como também para venda e produção em países vizinhos e de outros mercados distantes. “A S10 produzida na Tailândia, a Spin fabricada na Indonésia e o Cobalt feito no Usbequistão foram desenvolvidos aqui”, recorda Santos. “Atualmente, a GM gasta por ano cerca de US$ 10 milhões para manter o campo e atualizar os equipamentos.”
Além das pistas, cinco laboratórios analisam emissões, durabilidade, segurança, ruído, vibrações, itens elétricos e eletrônicos e desenvolvem sistemas de refrigeração, ventilação e aquecimento. Um destaque do campo é a chamada “reta infinita”, na verdade uma grande pista circular com 4,3 quilômetros inaugurada em 1990.
As instalações também fazem testes de impacto frontais, laterais, traseiros e ensaios com capotagem. Uma família de dummies sentada à espera do próximo teste forma uma imagem triste, apesar das roupas coloridas. “Um destes pode chegar a US$ 500 mil. Os menores simulam crianças de um ano e meio, três e seis anos”, afirma o gerente do laboratório, Daniel Rishter. Os testes também incluem a utilização de um robô semelhante ao usado em linhas de montagem, mas em vez fazer pontos de solda ele bate na carroceria em diferentes áreas com esferas ou cabeças, simulando o impacto de pedestres contra a carroceria ou de passageiros dentro do carro.
Durante a visita, a GM realizou o crash test de um Cruze sedã a 56 km/h conta uma barreira, simulando colisão frontal em 40% da dianteira, situação semelhante à que ocorre em ultrapassagens em pistas simples de mão dupla.

Robô simula impactos das cabeças dos pedestres na carroceria. Família de dummies inclui crianças de diferentes idades. Cruze realiza impacto em 40% da dianteira.
ERA UMA VEZ UMA FAZENDA
Quando comprada em 1972, a propriedade se chamava Fazenda da Cruz Alta. Ali havia cultivo de café, milho, laranja, algodão, plantio de feijão e criação de gado. Com o dinheiro da venda, o antigo proprietário teria construído um condomínio com o nome Cruz Alta. E a torre na entrada do campo de provas foi feita em forma de cruz.
“A escolha do local ocorreu por condições climáticas, já que Indaiatuba tem temperaturas elevadas e pouca chuva. A relativa proximidade com São Caetano do Sul (cerca de 120 km) também ajudou (…) Antes os testes eram feitos basicamente em trechos do litoral paulista e nas redondezas de São Paulo, São Mateus”, recorda Santos. No campo, para evitar espionagem, especialmente da imprensa especializada, uma equipe faz rondas 24 horas por dia e os carros utilizam camuflagens.
Em 24 de maio de 2005, um tornado passou por Indaiatuba e danificou boa parte das instalações do campo: “Ele destruiu telhados e molhou equipamentos dos laboratórios de segurança veicular, estrutural, ruído e vibração. Estávamos fazendo a certificação da última geração do Vectra. O mais marcante foi o empenho da equipe para fazer tudo voltar a funcionar e terminar a certificação do carro, lançado naquele ano”, diz o gerente do campo de provas.

Carros cobertos ou disfarçados como este Agile fazem parte da paisagem. A S10 com caçamba para trabalho pesado está em desenvolvimento para a Tailândia. Ilustrações mostram estudo do ruído que passa do cofre do motor para a cabine pela coluna de direção. Câmara semianecoica com dinamômetro faz análises até de veículos 4×4.