
A General Motors iniciou o processo de demissões na fábrica de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Segundo o sindicato dos metalúrgicos da região, a montadora enviou telegramas para dispensa de funcionários que estão em licença remunerada. Cerca de 50 pessoas devem ser demitidas na unidade.
Em nota, a GM informou que os desligamentos fazem parte do processo de adequação do quadro de empregados anunciado em outubro de 2023, e firmado em acordo coletivo. Segundo a montadora, as dispensas foram discutidas com os trabalhadores, inclusive com a oferta de um plano de demissão voluntária.
VEJA MAIS:– General Motors paralisa produção do Onix em Gravataí
– À espera de investimentos, GM de Gravataí fecha acordo com funcionários
“A medida foi necessária e permitirá que a companhia mantenha a agilidade de suas operações, garantindo a sustentabilidade para o futuro”, diz a nota.
Segundo o sindicato, o envio de telegramas acontece um dia antes do fim do período de estabilidade no emprego, previsto no acordo assinado pela GM e aprovado em assembleia dos metalúrgicos, em novembro de 2023.
O acordo foi aprovado após 17 dias de greve contra 1.244 demissões realizadas pela GM nas fábricas de São José dos Campos, São Caetano do Sul e Mogi das Cruzes, todas no estado de São Paulo.
Dispensas são de funcionários em licença
Como resultado da mobilização, as demissões arbitrárias foram substituídas pela abertura de Programa de Demissão Voluntária (PDV), com 696 adesões na GM de São José. Além disso, 140 funcionários da cidade foram colocados em licença remunerada, com estabilidade no emprego até 3 de maio de 2024. Os cortes anunciados pela GM abrangem parte desses trabalhadores, afirmou o sindicato.
“O Sindicato é contra qualquer demissão. Como a maioria aderiu ao PDV aberto em dezembro, a GM já aplicou a reestruturação pretendida. Esses postos de trabalho que ela está fechando agora poderiam, sim, ser mantidos. As demissões vão na contramão do anúncio de novos investimentos feito recentemente pela montadora”, disse, por nota, o presidente do sindicato, Weller Gonçalves.
Investimentos para produtos e adequação de fábricas
A GM anunciou, no início do ano, investimentos de R$ 7 bilhões para pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e na adequação de suas fábricas no país. Os recursos serão gastos de 2024 a 2028.
Na época, Santiago Chamorro, presidente da GM para a América do Sul, afirmou que os recursos serão usados na adequação das fábricas no Brasil e dos modelos já existentes no portfólio da montadora no mercado brasileiro.
“Vamos investir em novos negócios também. Mas, esses investimentos são muito mais sobre sustentabilidade. Se compararmos, o veículo elétrico é mais eficiente em termos de emissões do que o híbrido. No entanto, vamos oferecer as tecnologias que os clientes demandam e acreditamos que existe uma tecnologia mais eficiente”, ressaltou.
Fábrica da GM em São José passou por reformas
Na unidade de São José dos Campos a GM produz a renovada picape S10, o SUV Trailblazer e opera uma unidade de motores no complexo. Para produzir a picape, a fábrica do Vale do Paraíba passou por adaptações e ganhou novas instalações na área de pintura, nova prensa e estações de trabalho.
Além disso, a companhia também investiu em modificações no motor Duramax 2.8, desenvolvido nos Estados Unidos e que equipa os dois modelos.
