Questionada pela Autoinforme, a montadora não respondeu se cogita deixar o Brasil caso não obtenha lucro este ano ou nos próximos anos e se os investimentos dependem de acordos com os parceiros.
Se a GM considera que não tem lucro em sua operação no Brasil, ela provavelmente se refere à venda do seu carro de entrada, o Onix. Difícil não ter lucro num modelo de entrada que custa de R$ 45 mil a R$ 60 mil e que vende 200 mil carros por ano, mas vamos considerar que a empresa não obtenha a margem desejada nos seus carros chamados “de entrada”, no caso de Onix e o Prisma. Mas e o restante da linha? A marca opera em outras categorias, com carros médios e grandes, onde, como se sabe, a margem de lucro é bem maior.
Além de Onix e Prisma, a GM tem mais quatro carros no ranking que são campeões de venda. Muitos deles, vendendo mais do que várias marcas que têm uma linha completa.
Se fosse uma marca, o Onix sozinho seria a sexta mais vendida, atrás apenas de Volkswagen, Fiat, Ford e Renault, além da própria GM; o Prisma seria a 12ª “marca” do País, a S-10 seria a 13ª, o Tracker a 14ª e o Spin a 15ª, todas na frente de empresas que mantêm grandes operações no Brasil e portfólios completos de produtos, como Peugeot, Citroën, Mitsubishi, Mercedes-Benz, BMW, Jaguar Land Rover, Audi, Volvo e pelo menos mais uma dezena de importadoras.
A picape S-10 vendeu 31,5 mil unidades no ano passado, mais do que toda a operação da Peugeot ou da Citroën, e mais do que Audi, Chery, Volvo e Land Rover somadas.
O monovolume Spin vendeu 25.195, mais do que todos os modelos da Kia e a BMW somados.
Juntos, Cobalt e Cruze venderam 40 mil unidades, mais do que a soma de todos os carros da JAC, Audi, Caoa Chery, Volvo, Land Rover e Suzuki.
E nenhuma dessas empresas está reclamando de beliscar um pedacinho de um dos maiores mercado de veículos do mundo.

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Este artigo foi publicado originalmente pela Agência Autoinforme
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