
A organização em estruturas regionais deixa de existir. O Brasil, que fazia parte da área conhecida como LAAM (América Latina, África e Oriente Médio), passa a integrar a GM International Operations, que tem à frente Nick Reilly como vice-presidente executivo e sede em Shanghai.
Jaime Ardila continua, pelo menos por enquanto, como presidente da GM do Brasil e Mercosul. O presidente da GM Argentina é Edgar Lourençon.
A escolha da China como sede das operações internacionais da General Motors faz sentido. O mercado local vem crescendo de forma expressiva, indicando que o país superará os Estados Unidos no volume de produção de veículos ainda este ano.
A GM vem dedicando atenção crescente ao mercado chinês. Em 2008 as vendas da marca no país avançaram cerca de 6%, chegando próximo de 1,1 milhão de unidades. Este ano já foram comercializados mais de 838 mil veículos.
A GM Daewoo, que abriga mais de uma dezena de brasileiros, incluindo o diretor de engenharia William Bertagni, pode também ganhar importância na nova estrutura, com o desenvolvimento de veículos pequenos e compactos.
O Brasil deve conquistar oportunidades com seu forte time de engenharia, capacitação em desenvolvimento de veículos leves e domínio do sistema flex.
A operação brasileira tem planos para avançar: na quarta-feira, 15, o presidente Jaime Ardila vai a Brasília anunciar ao presidente Lula um investimento de US$ 1 bilhão para o desenvolvimento de uma família de veículos pequenos, que deverá ser produzida em Gravataí.
Ardila já afirmou que a linha de veículos da marca estará renovada completamente no país até 2012. A chegada do Agile, que será montado na Argentina, é mais um dos passos nessa direção. O hatch será lançado até o final do ano. Depois virá um novo modelo desta família, previsto para Gravataí.
Nova estrutura
No topo da organização da nova General Motors, como chairman do board, está Edward E. Whitacre Jr., que atuou boa parte da carreira na AT&T.
Fritz Henderson, que já comandou a operação no Brasil, continua como presidente e CEO, trabalhando próximo a Whitacre e com responsabilidade pela operação na América do Norte, que deixa de ter um presidente próprio.
Os antigos e pesados Automotive Strategy Board e Automotive Product Board foram substituídos por um comitê menor e mais ágil, para tratar de assuntos relativos a negócios, produtos, marcas e consumidores.
Bob Lutz está de volta à empresa como vice-chairman, reportando-se a Henderson. A ele se reportam os responsáveis pelas marcas, marketing, propaganda e comunicação.
Comando na China
A organização da GM em estruturas regionais não existe mais. Operações como a brasileira passam a trabalhar sob o comando da GM International Operations, que tem sede em Shanghai.
A corporação está empenhada em reduzir níveis hierárquicos em sua estrutura, o que levará ao corte de 35% de seus executivos e 20% de seus assalariados nos Estados Unidos. A administração pretende ser mais enxuta e rápida nas decisões.
Com as novas estratégias a General Motors Company deixa de brigar pelo topo do ranking na produção global de veículos para disputar um posto entre as dez maiores companhias do setor.
Com sede em Detroit, a empresa emprega 235 mil pessoas em todo o mundo e está presente em 140 países. A produção está concentrada em 34 países.
As marcas que sobreviveram à reestruturação são a Buick, Cadillac, Chevrolet, GMC, GM Daewoo, Holden, Opel, Vauxhall e Wuling. Vale lembrar que a GM está vendendo uma parcela de sua participação nas européias Opel e Vauxhall.
Os Estados Unidos constituem o principal mercado da GM, vindo a seguir China, Brasil, Reino Unido, Canadá, Rússia e Alemanha.