
Em entrevista coletiva logo após a reunião, Luiz Moan, diretor de relações institucionais da GM, declarou: “Não podemos garantir que os R$ 2,5 bilhões sejam aplicados em São José, mas pelo menos é proposta factível para ser apresentada à GM.” Por conta da extensão das negociações, o destino do aporte, que é disputado por duas localidades brasileiras e outros dois países, só será anunciado em julho.
Atualmente, a fábrica do Vale do Paraíba emprega mais de 6,5 mil funcionários para a fabricação do Classic, da Trailblazer, da S10 e de motores e transmissões. Para atrair o novo aporte, a prefeitura de São José e o Governo Estadual oferecem incentivos fiscais e ainda um distrito industrial, construído com dinheiro público, para a instalação de empresas fornecedoras.
DIREITOS
O pacto estabelecido vale apenas para os 2,5 mil novos trabalhadores que deverão ser contratados para a nova linha de produção, a ser construída no lugar do MVA (Montagem de Veículos Automotores) – onde o Classic será produzido até o final deste ano. O piso salarial será de R$ 1.700 e deverá ser corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) a partir de setembro de 2014, enquanto o teto salarial ficará a critério da GM e será apresentado para os trabalhadores em 45 dias. A Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que na negociação da semana passada estava na casa dos R$ 8 mil (leia aqui) passou para R$ 10 mil e também deverá sofrer reajuste pelo INPC, de 2015 a 2017.
Se aprovado, o acordo terá duração inicial de 2 anos – e não de 12 como pretendia a GM – a partir do início das operações da fábrica, em 2017, e poderá ser estendido por até duas vezes em período equivalente, chegando até 2023.
DEMISSÕES
Apesar de ter conseguido aumento do piso salarial e da PLR durante as negociações, o sindicato de São José não conseguiu reverter o acordo firmado em janeiro com a GM e que prevê o fechamento do MVA e, como consequência, a demissão de pelo menos 900 funcionários ligados à produção do Classic em um turno de trabalho. “Vamos abrir PDV (Plano de Demissão Voluntária) para todos os profissionais da linha do sedã, com condições especiais para aposentados e pré-aposentados, para reduzir ao máximo as demissões até o final do ano” comentou Moan.
Ainda segundo o executivo, os 598 funcionários do MVA demitidos em janeiro após o término do contrato temporário lay-off (leia aqui) terão preferência no recrutamento para a nova linha de produção.
O sindicato conta que para evitar a substituição da mão-de-obra em atividade e garantir a estabilidade de emprego na fábrica de São José, o acordo impede o remanejamento dos novos profissionais para as demais linhas da planta. “Há uma cláusula que protege os trabalhadores com salários mais altos, em torno de R$ 3,1 mil, de serem substituídos por outros com salários inferiores”, apontou o presidente do sindicato Antônio Ferreira de Barros, o Macapá. Para o sindicalista, o acordo é satisfatório para a GM, mas não representa uma conquista para a categoria.