
É muita gente graduada em cortejo ao poder sem objetivo definido divulgado. Uma semana atrás, com exceção de Ammann, o mesmo time de executivos da GM esteve em outra reunião na capital federal, no MDIC, com o ministro Pereira (leia aqui). Dada a intensa agenda em Brasília nos últimos dias, tudo indica que estão em curso negociações entre GM e governo sobre política industrial – e fiscal, como sugere a presença de Meirelles, chefe da Fazenda, na mesma reunião com Temer.
De acordo com o que disse o chefe do MDIC ao Valor, Ammann afirmou na reunião com Temer que a GM estaria pensando em voltar a investir no Brasil porque a confiança dos empresários internacionais no País vem sendo retomada graças às reformas e medidas de arrocho fiscal tomadas e propostas pelo atual governo. Se foi realmente isso que o executivo disse, comprova que a GM já teria cancelado o investimento de R$ 6,5 bilhões anunciado em julho de 2015 para o período 2017-2019, para o desenvolvimento de nova família de veículos (leia aqui). O próprio Ammann, em entrevista ao O Estado de S. Paulo há um ano, já havia ameaçado suspender esse aporte caso a situação econômica não melhorasse no horizonte de 6 a 12 meses (leia aqui), o que de fato ocorreu.
Como se viu até aqui, a situação no setor automotivo nacional não melhorou, muito pelo contrário, piorou. Mas pode ficar ainda pior para a GM, por exemplo, se por falta de investimentos a fabricante não conseguir atingir até o próximo semestre a meta de eficiência energética do Inovar-Auto, o que resultaria em multa por carro vendido a partir de 2018. Esse já seria um bom motivo, portanto, para cortejar o poder instalado em Brasília, com a sempre atraente promessa de retomada de investimentos.
Ainda segundo Marcos Pereira informou ao Valor, Ammann disse a Temer que a competitividade do País deve voltar a subir se o arrocho fiscal e as reformas forem adiante. “Para ele, se isso acontecer, o Brasil assumirá o papel de exportador da GM na América do Sul, que hoje está nas mãos da Europa, em função da falta de competitividade de nosso país”, afirmou o ministro ao jornal. É uma afirmação sem sentido de quem não conhece o mercado automotivo global ou entendeu mal o executivo, tendo em vista que a divisão da GM na Europa era a deficitária Opel, também pouco competitiva, que nunca exportou muito para países sul-americanos e há menos de um mês foi vendida para o Grupo PSA, dono das marcas Peugeot e Citroën.