Segundo comunicado oficial da GM sobre os resultados financeiros de 2014, despesas extraordinárias impactaram negativamente o lucro líquido em US$ 2,4 bilhões. Da mesma forma, os gastos com recalls chegaram a US$ 2,8 bilhões – especialmente nos Estados Unidos, onde a companhia teve de pagar indenizações milionárias pelos acidentes causados com o desligamento de certos modelos, por problemas no cilindro da chave de ignição. Além disso, a empresa contabilizou no ano US$ 1 bilhão em custos de reestruturação. Em compensação, com lucro menor, a GM também pagou menos impostos no ano passado, o que compensou parcialmente algumas perdas.
Apesar do recuo dos lucros, a companhia comemora ter fechado o ano com o balanço no azul, “a despeito dos desafios significativos enfrentados por nós pela indústria”, destacou em nota a CEO Mary Barra. Baseada nos resultados financeiros positivos já obtidos, a GM decidiu aumentar em 20% de os dividendos pagos aos acionistas pelo lucro apurado no segundo trimestre de 2014. Eles vão receber US$ 0,36 por ação, contra o valor fixado anteriormente de US$ 0,20. “O aumento reflete a confiança que temos na força crescente de nossos negócios”, declarou Mary Barra.
AMÉRICA DO SUL TEM PREJUÍZO DE US$ 200 MILHÕES
A divisão América do Sul (GMSA) contribuiu negativamente para os resultados globais da companhia. O lucro (Ebit) de US$ 300 milhões em 2013 se transformou em prejuízo de US$ 200 milhões em 2014. Os motivos são amplamente conhecidos: queda do mercado brasileiro, responsável por cerca de 70% das vendas na região, e o profundo declínio da Argentina.
A porção norte do continente americano (GMNA, que inclui Estados Unidos, Canadá e México) salvou o ano da GM, com Ebit positivo de US$ 6,6 bilhões, ainda que 12% menor do que o apurado em 2013 (US$ 7,5 bilhões), devido ao impacto dos gastos com recalls. Com o resultado, a companhia deverá pagar bônus de até US$ 9 mil a cada um dos 48,4 mil funcionários nos EUA.
Na Europa a GM continua a perder dinheiro, com novo prejuízo antes de impostos e juros de US$ 1,4 bilhão em 2014, com US$ 700 milhões em custos de reestruturação já contabilizados nesse valor. O ano foi ainda pior do que 2013, quando a GME registrou perda no Ebit de US$ 900 milhões, com US$ 200 milhões em gastos para reestruturar a empresa na região.
A GM International Operations (GMIO), que inclui as subsidiárias na China, reportou Ebit positivo de US$ 1,2 bilhão e assim colaborou com o resultado global positivo da companhia. Mas o ganhou ficou 8% abaixo do US$ 1,3 bilhão apurado em 2013.
O caixa fechou o ano bastante robusto, com liquidez de US$ 37,2 bilhões, contando US$ 25,2 bilhões em dinheiro e títulos negociáveis. O resultado ficou pouco abaixo do verificado um ano antes, quando a GM tinha US$ 38,3 bilhões líquidos e disponibilidade de US$ 27,9 bilhões em dinheiro e papéis.