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GM negocia em São José dos Campos e demite em Gravataí

Na mesma semana em que negocia um investimento de R$ 2,5 bilhões para a implantação de uma nova linha de produção em São José dos Campos, no interior de São Paulo (leia aqui) – planta que enfrentou uma onda de demissões no início deste ano com alegação de baixa competitividade por parte da empresa -, a General Motors do Brasil demite no complexo de Gravataí (RS), um dos mais produtivos da GM no mundo e que já fabricou mais de 2 milhões de carros desde 2000, quando foi inaugurado.
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Redação AB

28 mai 2013

3 minutos de leitura

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As demissões, segundo Valcir Ascari, diretor administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, estão acontecendo desde semana passada como forma de repressão após a greve que durou cinco dias no mês de abril e que reivindicava reajuste salarial (leia aqui).

“Após a paralisação, conseguimos 9,5% de reajuste salarial, R$ 9.650 por 100% das metas do Programa de Participação nos Resultados (PPR), R$ 3 mil de abono salarial e R$ 1,2 mil como piso salarial. Mas também foi acertado que não haveria nenhuma perseguição aos trabalhadores, o que não vem ocorrendo”, afirma Ascari, que ainda não sabe dizer quantas pessoas já foram demitidas.

Segundo o diretor administrativo, até mesmo funcionários que não participaram da greve tiveram seus empregos colocados em xeque pela montadora. “A GM diz que os cortes são “naturais” em uma fábrica que faz 1,2 mil carros por dia (os Chevrolet Celta, Onix e Prisma) em três turnos de trabalho”, comenta. “Mas não acreditamos que a demissão apenas coincidiu com o período pós-greve”, acrescenta Ascari.

O sindicato de Gravataí deve entregar um documento para a General Motors na quarta-feira, 29, solicitando uma explicação. Até o dia 12 de junho, um levantamento com os trabalhadores será realizado, quando os mesmos deverão se reunir na sede do sindicato. Ascari conta: “Já informamos a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos sobre as demissões e nosso próximo passo é levar o assunto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Porto Alegre (RS) e ao Ministério Público.”

Procurada por Automotive Business, a assessoria de imprensa da General Motors diz que sequer ouviu falar em demissões no complexo industrial de Gravataí e que a prioridade na semana é negociar o investimento de R$ 2,5 bilhões com o Estado de São Paulo, com a prefeitura de São José dos Campos e com o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade.

NEGOCIAÇÕES EM SÃO JOSÉ

Segundo a GM, na tarde da terça-feira, 28, durante reunião entre representantes da empresa, do Estado de São Paulo e da Prefeitura de São José dos Campos, foi definido um pré-acordo para a implantação de uma nova linha de produção no município.

“Já alinhamos incentivos fiscais e detalhes de infraestrutura necessária. Há a possibilidade de criação de um distrito industrial próximo da atual fábrica da GM para reunir a nova linha de produção e seus futuros fornecedores de autopeças. Mas ainda falta a reunião de amanhã (quarta-feira, 29, às 10h30) com o sindicato para definir questões trabalhistas. Pretendemos tomar a decisão até o fim deste mês e anuncia-la no início de junho”, informou a assessoria da montadora.