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GM pode ser responsabilizada por 303 mortes após atraso em recall

A General Motors pode ser acusada de causar a morte de 303 pessoas nos Estados Unidos. O número equivale a um acidente aéreo com um Boeing 777, por exemplo. O motivo teria sido o atraso da companhia para convocar o recall de alguns modelos com defeito de fabricação.
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Redação AB

14 mar 2014

2 minutos de leitura

Cerca de 1,7 milhão de veículos vendidos pela marca no País apresentavam desgaste no cilindro da ignição. Com isso, os carros poderiam não aguentar o peso da chave e do chaveiro, que poderiam rodar para a posição de desligar com o automóvel em movimento. Se isso ocorresse, rodas, pedal de freio e airbags travariam, com risco de provocar graves acidentes.

Arquivo da NHTSA, agência de segurança viária dos Estados Unidos, mostra que a General Motors foi comunicada do problema em 2001, mas realizou o recall apenas em fevereiro de 2014, 13 anos depois. A convocação aconteceu após a imprensa apurar a possibilidade de entre 12 e 30 casos fatais estarem ligados ao problema. Informações da agência norte-americana Automotive News apontam que, na última semana, a Friedman Research Corporation, empresa que fornece informações a seguradoras do Texas, verificou que o número de vítimas fatais pode ter sido muito maior, chegando a 303 pessoas.

O defeito está presente em modelos como Chevrolet Cobalt, Pontiac G5, Pontiac Persuit, Saturn Iron, Chevrolet HHR, Pontiac Solstice e Saturn Sky. A General Motors evitou se posicionar sobre o caso. Segundo a agência Reuters, Mary Barra, presidente da companhia, afirmou apenas que a empresa estava “profundamente arrependida” e disposta a “garantir que a segurança dos consumidores como prioridade número um.”

Segundo Automotive News, o último acidente relacionado ao caso aconteceu em dezembro de 2009. Hasaya Chansuthus dirigia seu Cobalt para casa em Nashville, nos Estados Unidos, quando bateu em um Volkswagen Golf, o carro deslizou na pista e atingiu uma árvore. A jovem faleceu após o impacto com o volante. A investigação comprovou que o airbag não inflou e que os sinais na pista não indicavam que a estudante tivesse tentado evitar o impacto – o que seria um indício de que as rodas podem ter travado.

A família de Hasaya processou a General Motors e, três meses depois, chegou a um acordo confidencial com a empresa. A companhia nega, no entanto, que o caso esteja relacionado com o recall que a montadora está executando.

A General Motors já passou por crise semelhante. Entre 1960 e 1963 a companhia produziu a primeira geração do Corvair. Com problemas na suspensão, o carro foi alvo de mais de 100 processos que o relacionavam a acidentes. O caso foi tratado por Ralph Nader em 1965 no livro Unsafe at any speed (Inseguro em qualquer velocidade).