
Apenas um dia depois, no domingo, 27, a GM divulgou comunicado em que anuncia a abertura do terceiro turno de trabalho na fábrica de Gravataí (RS). A mudança resultará na abertura de 1.450 novos empregos diretos e outras mil vagas distribuídas em 19 sistemistas situados no Complexo Industrial Automotivo de Gravataí (Ciag). Segundo a empresa, o sucesso de vendas do Onix, lançado em outubro passado, justifica o aumento da produção na unidade gaúcha, que também começa a fabricar a versão sedã do modelo, o novo Prisma, a ser lançado em fevereiro. A planta já passou por grandes obras de expansão e modernização, foi a que recebeu o maior aporte (R$ 1,2 bilhão) do programa de investimento da GM, de R$ 5,2 bilhões de 2008 a 2012.
Também no domingo a montadora anunciou a contratação de 180 empregados para a fábrica de motores de Joinville (SC), que já produz mas será inaugurada oficialmente no próximo dia 27 de fevereiro.
NEGOCIAÇÃO DURA EM SÃO JOSÉ
Após nove horas de negociação, a GM e o sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos chegaram a uma proposta que estende por mais dois meses o período de lay-off, suspensão temporária dos contratos de trabalho, que envolve 779 empregados da unidade MVA, onde era fabricada a linha Corsa e desde metade do ano passado só é feito o Classic. Depois do período de extensão, caso sejam desligados, os trabalhadores terão direito a uma multa de três salários-base. Dos funcionários em lay-off, 150 lesionados serão realocados para atividades compatíveis no interior da unidade.
Se a proposta for aprovada em assembleia, os funcionários que trabalham na produção do Classic entram em férias coletivas a partir de terça-feira, 29, até 14 de fevereiro. Esse período foi determinado para que a GM reponha as peças necessárias para a retomada da produção do Classic, que seria desativada caso não se chegasse a um acordo. Dessa forma, o setor de Montagem de Veículos Automotores (MVA) não seria mais fechado este ano.
Segundo o sindicato, a proposta de acordo inclui 16 itens. Entre eles estão:
– Investimento de R$ 500 milhões direcionados às áreas de powertrain (motores e transmissão), estamparia e S10, no período de 2013 a 2017;
– Produção do Classic até dezembro deste ano, com 750 trabalhadores. Após esse período haverá nova negociação;
– Quem está em lay-off terá extensão do processo por dois meses. Ao final, se a empresa demitir, terá de pagar uma multa de três salários. O trabalhador poderá optar por sair imediatamente e receber cinco salários, além dos direitos trabalhistas;
– Nova grade salarial para novos funcionários, apenas na fábrica de componentes (powertrain, estamparia e plástico), com piso de R$ 1,8 mil;
– Jornada de trabalho que possibilita duas horas extras por dia. Poderá haver folga em até 12 dias por ano, que serão compensados posteriormente;
– Reaproveitamento de lesionados em atividades compatíveis, devendo ser definidas em conjunto com o sindicato;
– Garantia do nível de emprego.
A assembleia que votará a proposta ocorre nas entradas dos turnos da segunda-feira, 28. “O acordo será aprovado ou não pelos trabalhadores. Foi um acordo possível. Impede o fechamento do MVA e garante investimento na fábrica de São José dos Campos”, diz o presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros.