“Um dos elementos de mercado mais importantes para atrair novos clientes é o braço financeiro com a oferta de financiamentos, levando em conta que as vendas de carros à vista representam só 37% dos negócios”, explicou Santiago Chamorro, presidente da GM Brasil. Segundo ele, os serviços financeiros são uma alternativa importante para enfrentar a competição e o cenário atual de desaceleração do mercado (leia aqui). “Nosso objetivo é fidelizar o cliente e dos elementos da estratégia de varejo é a oferta de financiamentos.”
O Banco GMAC também foi recomprado da Ally no Brasil. A operação dependia de aprovação do Banco Central, o que aconteceu recentemente. Agora, com o controle do braço financeiro, a ideia criar opções de financiamento atraentes para os clientes. “As condições de financiamento são críticas para o nosso negócio. Com a Chevrolet Serviços Financeiros temos a ferramenta ideal para apoiar as vendas”, disse Jaime Ardila, presidente da General Motors South America (GMSA).
PLANOS ESPECIAIS
O primeiro passo dessa estratégia após a criação da Chevrolet Serviços Financeiros foi o lançamento da promoção de financiamento com taxa zero, que terminou na terça-feira, 22, e após 10 dias ajudou a reduzir os estoques na fábrica e concessionárias de 45 para 40 dias de vendas.
No começo de novembro a financeira lança o Plano Tranquilidade, que junta o custo das quatro revisões iniciais do veículo até os 40 mil km (e as quatro primeiras trocas de óleo até 35 mil km) em um mesmo financiamento. A entrada mínima é de 30% do valor do veículo e uma parcela maior, de 20% ou 30% do total financiado, é paga ao fim do prazo de 24 ou 36 meses. A taxa de juros do plano é de 0,79% ao mês, mas o custo efetivo total, que inclui IOF e outras tarifas, deve ficar em torno de 1% ao mês, nível parecido com o dos planos mais baratos do mercado.
No término do plano, o cliente tem a opção de refinanciar a parcela final, quitar o carro ou usar o valor de mercado do veículo para pagar a última prestação e dar entrada em um novo na concessionária.
Na prática, a GM apresentou o exemplo de financiamento de um Onix 1.4, seu modelo mais vendido atualmente, em sua versão mais cara e completa, a LTZ, com ar-condicionado, airbags, freios com ABS e sistema de conectividade MyLink. Hoje o preço sugerido do modelo é de R$ 43.990. Supondo que o cliente tivesse um Corsa 2009, avaliado pela tabela Fipe em R$ 22 mil, poderia dar entrada em torno de 50%. O restante seria pago em 36 parcelas de R$ 499 e a prestação final chegaria a cerca de R$ 14 mil. Ou seja, o total pago pelo carro neste caso é de R$ 53.964, ou quase R$ 10 mil além do valor original.
O marketing da GM avalia que o plano pode fidelizar o consumidor à marca e faz uma outra conta com o mesmo exemplo do Onis 1.4 LTZ. “Ao fim dos três anos, em 2016, o cliente terá um carro de aproximadamente R$ 35 mil (incluindo a parcela final), que poderá servir de entrada para uma nova compra”, aposta Hermann Mahnke, diretor de marketing da GM Brasil. Não será vantagem, tendo em vista que o cliente, descontada a parcela final de R$ 14 mil, teria R$ 21 mil para a entrada em outro Chevrolet zero-quilômetro, ou quase o mesmo que tinha 36 meses antes, mas corroído pela inflação de três anos. Portanto, não poderia comprar coisa melhor usando só seu usado como entrada.
“A vantagem é que o plano oferece parcelas mensais fixas e baixas, com previsibilidade de despesas controladas no horizonte de três anos adiante em um cenário de alta de juros”, avalia Chamorro.
CARTEIRA DE R$ 10,5 BILHÕES
A GM pagou cerca de US$ 4,2 bilhões para adquirir de volta da Ally o controle de seu braço financeiro em todo o mundo – só falta fechar o negócio na China. A GM Financial tem atuação em 16 mil concessionárias instaladas em 19 países. Os ativos da divisão somam US$ 30 bilhões.
No Brasil, a subsidiária da GM Financial é o Banco GMAC, que tem ativos totais de R$ 10,5 bilhões, patrimônio líquido de R$ 1,4 bilhão e carteira de crédito de R$ 8,5 bilhões em contratos ativos de financiamentos. São 426 mil clientes com planos de CDC e leasing e 95 mil consórcios. O banco é listado pelo BC como a 34ª maior instituição financeira do País.