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GM volta atrás: produzirá Classic até o fim do ano em São José

A General Motors, que na última sexta-feira, 16, havia anunciado o fim da produção do sedã Classic na planta de São José dos Campos (SP) (leia aqui). Conbtudo, sob pressão do Sindicato dos Metalúrgicos do Vale do Paraíba, voltou atrás e decidiu manter a fabricação do modelo até o fim deste ano.
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Redação AB

23 ago 2013

3 minutos de leitura

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“A GM queria simplesmente fechar o MVA (Montagem de Veículos Automotores), mas a pressão da categoria metalúrgica fez com que voltasse atrás. Organizamos assembleias, passeata e até ocupamos a Prefeitura de São José dos Campos. Assim, ganhamos mais um tempo para respirar, mas a nossa luta continua”, contou o secretário-geral do sindicato, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

Depois das manifestações, em reunião na manhã da sexta-feira, 23, Luiz Moan, diretor de relações institucionais da GM e presidente da Anfavea (associação dos fabricantes de veículos), apesar de defender que é economicamente inviável manter o MVA com a produção em um turno de 150 Classic por ano, disse que manterá a linha em operação de 9 de setembro até 31 de dezembro, mas em ritmo menor, ainda não definido.

“Já estamos tendo problemas com abastecimento de peças na linha”, justificou o executivo. O setor ficou parado desde 22 de julho por causa de férias coletivas e de licença remunerada, que acabaria na sexta-feira, 23, mas agora foi adiada até o dia 8 de setembro.

PDV ESPECIAL

A GM espera que até o fim do ano grande parte dos 850 empregados ainda ligados ao MVA e às áreas afins vai aderir ao PDV (Programa de Demissão Voluntária). Em 22 de julho, a montadora já havia aberto um PDV, com a aceitação de 178 funcionários. Nesta sexta-feira, 22, para aumentar o número, a empresa anunciou um novo, exclusivo aos trabalhadores do MVA, com algumas condições especiais.

No caso dos funcionários aposentados, foi acertado que, além de até cinco salários adicionais, dependendo da indenização, serão pagos para todos os que aceitarem o PDV mais dois salários extras. Fora isso, serão assegurados quatro meses de seguro saúde, até abril de 2014.

Para os que ainda não se aposentaram, Moan prometeu as indenizações previstas por lei até o fim do ano, incluindo 13º salário e participação nos lucros da empresa.

Para quem não aderir a este último PDV até 8 de setembro, só restará duas alternativas: trabalhar na linha de produção em ritmo reduzido ou ficar em casa com licença remunerada até o fim do ano. Mas Moan lembra que aqueles que permanecerem afastados serão despedidos a partir de janeiro de 2014 sem receber nenhum benefício adicional além da indenização legal.

A GM calcula que nos últimos dois anos, por falta de competitividade da planta de São José dos Campos (segundo a empresa, esta é a sua fábrica com o maior custo de produção do País), e com o fim da produção dos Chevrolet Corsa, Meriva e Zafira, cerca de 1,3 mil trabalhadores foram desligados. A unidade ficou de fora do pacote de renovação do portfólio de veículos e desde 2008 não recebe investimentos.

Atualmente, além do MVA, que está sendo fechado, a planta conta com sete linhas que produzem a picape S10, o utilitário Trailblazer, além de motores, transmissões e outros componentes, empregando cerca de 6,5 mil pessoas.

NOVO INVESTIMENTO, SERÁ?

A única esperança que resta à fábrica de São José é um aporte de R$ 2,5 bilhões para a produção, a partir de 2017, de um veículo popular totalmente novo (leia aqui). O investimento era disputado com outros dois países em que a montadora mantém operação, e permanece em fase de aprovação pela matriz.

Durante a reunião da sexta-feira, Luiz Moan revelou que apenas um país concorre agora com São José, mas ainda não sabe dizer quando o martelo deverá ser batido. A General Motors tinha prometido anunciar a decisão do aporte até 6 de julho.