O presidente Jaime Ardila já disse que nada muda, explicando que a operação brasileira é independente e existe um compromisso de não haver mais remessas de dinheiro para os Estados Unidos.
Ele garantiu também que a empresa terá acesso a tecnologias desenvolvidas pela matriz e poderá negociar projetos com a Opel, até agora fonte importante de projetos para a GMB que passará a ser comandada pela Magna.
Mas é na Coréia que a GMB já tem um parceiro importante em suas estratégias: a GM Daewoo.
Assista, neste website (em Vídeos) a entrevista a Automotive Business do brasileiro diretor de engenharia da GM Daewoo, William Bertagni.
Em busca de recursos
Um dos desafios de Ardila estará em preservar uma imagem de dinamismo e capacidade de inovação na empresa que comanda, emitindo sinais positivos de convencimento para os empregados, concessionários, clientes e o mercado de uma forma geral.
Com o aval da matriz, mas sem receber os dólares que precisa, a operação brasileira ficará na dependência de obter garantias de bancos privados para obter empréstimos junto ao BNDES e tocar os novos programas.
O executivo sabe que terá que renovar os produtos da marca nos próximos anos para preservar a competitividade diante das novidades que seus principais adversários preparam, especialmente na faixa de carros pequenos e compactos. Ele disse recentemente que espera investir US$ 1 bilhão até 2012, quando a linha de produtos da Chevrolet no país deve estar atualizada.
Disputa popular
A Fiat vai lançar um novo Uno e a Volkswagen pretende desenvolver um veículo mais barato na faixa de entrada. A Ford terá no Fiesta novo uma arma poderosa. Ao lado das iniciativas de outros players tradicionais, vale destacar também que os chineses e indianos têm planos para estabelecer bandeiras no Brasil.
A Tata quer levar o Nano para os EUA dentro de três anos – e por que não para o Brasil? Junto com o carro poderia chegar uma versão do também indiano e barato Bajaj, com o suporte da Renault, tornando o segmento popular bastante disputado.
A reação da GMB
O próximo passo da GM é o lançamento da família Viva, produzida na Argentina e em Gravataí, no Rio Grande do Sul, para atender o segmento ocupado hoje pelo Corsa.
Enquanto os modelos estiverem sendo introduzidos, a montadora estará empenhada em viabilizar outra família de veículos de custo mais baixo, concebida na Coréia com a participação de engenheiros brasileiros.
O jornal Zero Hora, de Porto Alegre, antecipou o esforço da General Motors para levar adiante o programa de carros populares, que estaria centrado em Gravataí e dependeria de mais um bilhão de reais em investimentos. Como o BNDES só libera recursos com garantias, a montadora depende de bancos privados para avançar.
A fábrica de Gravataí, apontada como modelo de eficiência dentro da corporação GM, necessita de uma nova linha de montagem para atender o projeto em gestação na Coréia.
Eficiência em Gravataí
A jornalista Cleide Silva assina matéria publicada no Estadão neste domingo, 7, sobre a visita que fez à fábrica da GM em Gravataí. “A linha de produção é parecida com qualquer outra. O diferencial está nas 16 portas laterais do prédio, onde os sistemistas entregam os conjuntos que seguem direto para os processos de estamparia, funilaria, pintura e montagem final” – escreveu.
A jornalista lembra que o processo reduz custos e tempo de produção, agilizando também a resolução de problemas. Cada trabalhador da unidade produz o equivalente a 135 carros por ano e a manufatura custa US$ 500 a menos que nas outras unidades do grupo. Em São Caetano a média é de 90 carros por ano.
Manufatura na GM
José Eugênio Pinheiro, vice-presidente de manufatura da GM LAAM confirmou a presença no próximo simpósio de manufatura da SAE Brasil, dia 22 de junho em São Paulo, para descrever a integração das operações da marca na região. Ele terá nessa tarefa a companhia de Walter Othero, diretor de manufatura das fábricas de Gravataí e Rosário, na Argentina.