
O governador da Bahia frustrou os planos da Lecar de fabricar carros elétricos em Camaçari (BA).
Jerônimo Rodrigues (PT) disse ter recebido a proposta de Flávio Figueiredo Assis (que ficou conhecido como “Elon Musk brasileiro”), mas alegou que não havia condições para que a empresa pudesse assumir o complexo deixado pela Ford em 2021.
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“Não houve nenhum movimento no material que a empresa enviou. A Fazenda e a Procuradoria Geral do Estado analisaram (o material) e não havia elementos suficientes que fizessem a gente chamar a BYD e dizer: ‘olha, temos uma proposta melhor’, ou algo do tipo. Pelo contrário”, afirmou.
Apesar disso, o político afirmou que gostaria de conversar com Assis para entender como pode ajudar a Lecar a se instalar na Bahia.
“Até tentei mandar uma mensagem para ele (Assis) e para entender se ele tem interesse em realizar investimentos na Bahia. Caso tenha, criarei condições legais para que ele possa vir investir na Bahia. Será um prazer qualquer investidor fazer isso”.
Negociações com BYD vêm desde 2022

Rodrigues revelou que as conversas entre o governo baiano e a BYD começaram em 2022, quando o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, ainda governava o estado.
“Nós já havíamos aberto um processo de diálogo desde 2022. O ministro Rui Costa, ainda governador, já havia demandado a possibilidade da BYD estudar o Brasil e a Bahia para encontrar um local de investimentos aqui. Então não é de agora. Não foi nada obscuro”, assegurou.
Lecar alega ter sofrido ‘desclassificação prematura’

A Lecar afirma que existia um aviso de chamamento público vigente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado. Isso permitiria que terceiros demonstrassem interesse em assumir o terreno e as instalações, que haviam retornado às mãos do governo antes da assinatura do contrato de compra e venda pela BYD, na última terça-feira (5).
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Lecar definiu o episódio como “mais um triste episódio da falta de apoio ao empreendedorismo brasileiro”, alegando que sofreu uma “desclassificação prematura”.
A fabricante afirma que, “apesar da possibilidade de recursos jurídicos”, decidiu não recorrer da decisão.
“Nossos advogados alertaram sobre a morosidade desta ação e, como não podemos atrasar nossos planos de entregar carros elétricos feitos por brasileiros para brasileiros, desistimos de Camaçari para não atrasar o Brasil”, disse Flávio.
Promessa da Lecar é de gerar 600 empregos
Empresário do setor de cartões de crédito, Assis ganhou os holofotes por manifestar a vontade de fabricar carros na antiga fábrica da Ford – a qual Flavio disse ter visitado pessoalmente.
Ironicamente, o “Elon Musk brasileiro” protocolou a intenção de assumir a área e os ativos da fábrica exatamente no dia em que a BYD apresentou o Dolphin Mini – um de seus principais lançamentos em 2024.
Sediada em Barueri (SP), a empresa promete erguer uma fábrica em Caxias do Sul (RS) para produzir carros elétricos. Lá seria fabricado o Model 459, sedã que deve ser lançado em meados de 2025 por R$ 279 mil e com autonomia de até 400 km.
O complexo de Camaçari (BA) seria destinado à produção de um carro elétrico compacto na faixa dos R$ 100 mil e com 300 km de autonomia.
A estimativa é de produzir 300 veículos por mês já no primeiro ano de fabricação, com expectativa de gerar 600 empregos diretos.
Atualmente, a Lecar reúne uma equipe de 30 profissionais, que acumulam passagens por empresas da indústria automotiva, como Gurgel, Troller, Ford, Toyota e Nissan.
